Idosos são o principal alvo de bandidos. Foto: Helena Lopes/Pexels
O número de casos de golpes envolvendo empréstimo consignado usando biometria facial de idosos tem crescido em Goiás, aproveitando de novos artifícios e tecnologias. Segundo dados do Procon (Programa de Defesa do Consumidor), a contratação indevida de crédito consignado lidera os registros de denúncias e reclamações no órgão.
Em entrevista ao Diário de Goiás, o secretário municipal de Defesa do Consumidor de Aparecida de Goiânia, Hanleryo Arantes, os idosos são as principais vítimas desse tipo de golpe. “Temos aproximadamente 50 casos por mês registrados no Procon. A nossa demanda maior é justamente de aposentados”, destaca.
Golpe da cesta básica
Hanleryo alerta para uma nova modalidade de atuação dos golpistas, o chamado “golpe da cesta básica”. Nesse tipo de ação, os criminosos vão até a casa dos aposentados e pensionistas oferecendo o benefício de distribuição de cesta básica mediante a um cadastro. Ao realizar o suposto cadastramento, a vítima informa aos golpistas todos os dados necessários para a abertura de uma conta bancária digital.
O ponto-chave da ação é quando o bandido pede uma “foto” ao aposentado para confirmar o cadastro, quando, na verdade, está registrando a assinatura biométrica exigida pelo sistema de segurança do banco digital. “Em 40 minutos esse golpista abriu uma conta bancária, contraiu o empréstimo consignado e adquiriu um cartão de crédito. Tudo em nome do aposentado. Então é um golpe perfeito”, explica o secretário.
Segundo Hanleryo, esse tipo de ação é complicada, justamente, pela dificuldade de provar que se tratou de um golpe, já que, para o sistema das instituições bancárias, há a biometria facial do aposentando comprovando a assinatura do empréstimo. A conta é aberta em nome do aposentado, com todos os dados originais e assinatura biométrica da vítima, mas o crédito e a gestão da conta ficam sob domínio do golpista.
Hanleryo explica que, nestes casos, é necessária toda uma investigação especial para comprovar o golpe. A denúncia recebida pelo Procon então é encaminhada à delegacia especializada, que vai ser responsável por apurar as circunstâncias da contratação e comprovar o golpe. “Vamos investigar para onde está indo esse recurso, porque o aposentado não recebeu dinheiro, não conhece quem são os terceiros envolvidos. Então, a priori, para o banco está tudo normal, mas a polícia tem como investigar”, detalha.
O Procon faz parte de um sistema integrado que envolve, além do órgão de Defesa do Consumidor, a Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça, e as delegacias especializadas, como a Decon (Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor). “Esse sistema chama ProConsumidor, por onde o Procon registra a reclamação, e essa reclamação vai automaticamente para aquelas empresas que têm o termo de cooperação assinado junto ao governo”, por meio do sistema, as instituições bancárias são informadas da suspeita de golpe e a segurança pública alertada sobre as ações criminosas.
Evolução dos golpes
De acordo com Hanleryo, o golpe da cesta básica é apenas um dos vários mecanismos usados pelos golpistas. Com a modernidade e avanço das tecnologias, as ações estão sendo realizadas até mesmo por meio de chamadas de vídeo, à distância.
“O golpista faz uma chamada de vídeo dizendo que a pessoa ganhou um dinheiro, um recurso, ou para fazer uma suposta prova de vida do INSS. A pessoa coloca o rosto naquela chamada de vídeo e aquilo já é uma facial. Eles utilizam um sistema que colhe a facial desse aposentado durante a ligação de vídeo”, detalha o secretário.
Alerta e recomendações
O alerta do Procon é para que os consumidores, principalmente idosos, que possuem maior dificuldade com os meios digitais, não forneçam informações pessoais por telefone e não se deixem ser fotografados ou filmados por terceiros. Segundo Hanleryo, a recomendação é válida até mesmo em abordagens dentro das agências bancárias. “Existem casos aí de até família, filho, parente, que utiliza o celular do próprio aposentado. Em outros casos, há indícios de que o próprio atendente daquele banco está registrando as faciais dos aposentados”, advertiu o secretário.
Por fim, o representante reforça a importância da população registrar formalmente a reclamação e denúncia, para que o órgão possa atuar junto às equipes de segurança pública e apurar os casos. “A primeira coisa é procurar o Procon, porque pode ser golpe, pode não ser. O Procon vai registrar a reclamação junto ao banco e o banco vai dar essas primeiras respostas. O banco encaminha a foto de onde foi feita a contratação, os termos, e, depois que o Procon tiver esse calhamaço de documentos nas mãos, o consumidor pode procurar ou o Poder Judiciário ou a delegacia para registrar aí a sua ocorrência de um desconto indevido, um provável golpe ou algo nesse sentido”, explica.
Canal de denúncias
As denúncias e reclamações podem ser formalmente registradas por meio do número de WhatsApp (62) 3545-6501. O canal de atendimento é usado tanto para os que desejam fazer a denúncia digitalmente ou agendar um atendimento presencial no Procon.
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