Imagine chegar à Serra de Caldas por um novo acesso em Rio Quente, embarcar em um teleférico e observar a paisagem do alto antes de chegar à região dos mirantes. Essa é uma das mudanças previstas para o Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN) em um novo projeto de concessão apresentado pelo Governo de Goiás.
O edital prevê a transferência dos serviços de uso público e visitação para a iniciativa privada por 35 anos. Ao longo desse período, o projeto estima R$ 221,3 milhões em investimentos para modernizar estruturas existentes e criar novos equipamentos turísticos.
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Entre as propostas estão um teleférico, uma nova entrada pelo lado de Rio Quente, restaurantes, novos mirantes, melhorias nas trilhas e uma plataforma do tipo skyglass.
Mas há uma informação importante. Nada disso significa que as estruturas já estejam construídas. O projeto ainda depende das etapas previstas na concessão e da implantação gradual dos investimentos.
Foto: Divulgação
Teleférico será um dos grandes atrativos do novo projeto
Entre todas as novidades previstas, o teleférico é a que concentra o maior volume de investimentos.
A estrutura deverá começar em uma nova entrada do parque pelo município de Rio Quente e seguir em direção à região próxima ao Mirante dos Urubus.
Além da experiência turística, o equipamento deverá contar com recursos de acessibilidade. O projeto prevê cabines adaptadas para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
O chamado Setor Teleférico concentra aproximadamente R$ 181,45 milhões dos investimentos previstos. De acordo com o cronograma apresentado, a operação do equipamento deverá começar depois do sexto ano da concessão.
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Portanto, quem visitar a Serra de Caldas nos próximos meses não encontrará um teleférico pronto. A estrutura faz parte de uma implantação de longo prazo.
Rio Quente poderá ganhar uma nova porta de entrada para o parque
Atualmente, o acesso regular ao PESCaN acontece pelo lado de Caldas Novas.
A concessão prevê uma segunda portaria na região de Rio Quente. O espaço deverá funcionar como um novo ponto de acolhimento para os visitantes.
O projeto inclui centro de visitantes, recepção, banheiros, balcão de informações, alimentação, loja de souvenirs, estacionamento e praça de acolhimento.
Na prática, a mudança poderá facilitar o acesso de quem está hospedado em Rio Quente e ampliar a circulação turística pela serra.
A novidade também se conecta ao teleférico. É justamente dessa nova área que deverá partir o equipamento projetado para levar os visitantes até a região dos mirantes.
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Pedra do Amor poderá ganhar restaurante e área para eventos
O lado de Caldas Novas também está incluído no projeto.
A proposta prevê reforma, restauro e paisagismo do Portal e da Portaria, além de intervenções no Centro de Visitantes.
Na região da Pedra do Amor, o projeto prevê um novo receptivo com restaurante, área para eventos, mirantes e aluguel de bicicletas.
As mudanças também devem alcançar a Trilha da Cachoeira da Cascatinha e o Mirante do Paredão. Outra estrutura prevista é uma praça sensitiva, planejada com elementos naturais e recursos acessíveis para diferentes públicos.
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Serra poderá ganhar mirante com piso de vidro
Outro ponto que chama atenção está no Mirante da Pousada, localizado na face da serra voltada para Rio Quente.
O projeto prevê a construção de uma plataforma do tipo skyglass, com aproximadamente 50 metros quadrados.
A proposta deve transformar o mirante em um dos pontos de observação mais diferentes do parque. Atualmente, o local possui uma estrutura considerada rústica e fica distante da portaria principal.
Pelo acesso convencional, o percurso de ida e volta ultrapassa 22 quilômetros, motivo pelo qual o local é indicado principalmente para ciclistas.
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Com uma nova entrada e o teleférico previstos no projeto, a área poderá ficar mais integrada ao circuito turístico do parque.
Bicicletas e veículos elétricos poderão facilitar os deslocamentos
O projeto também prevê novas alternativas para circular dentro do PESCaN.
Entre as possibilidades estão bicicletas convencionais e elétricas, veículos elétricos e passeios em veículos 4×4 e quadriciclos, desde que utilizados em vias adequadas.
A futura concessionária poderá ainda operar serviços como recepção, controle de acesso, estacionamentos, alimentação, comércio e estruturas de apoio. Também estão previstos serviços relacionados ao ecoturismo e ao turismo de aventura.
Outras atividades, como arvorismo, escalada, via ferrata, rapel e rampa para voo livre, aparecem no projeto como possibilidades adicionais.
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Isso significa que elas não estão entre os investimentos obrigatórios e poderão ou não ser implantadas pela empresa ou consórcio responsável pela concessão.
Entrada no parque poderá deixar de ser gratuita
Essa é uma das mudanças que mais interessam a quem costuma visitar a Serra de Caldas.
Atualmente, a visitação ao parque é gratuita. Pelo modelo de concessão apresentado, porém, a futura concessionária poderá cobrar um ingresso de até R$ 60 por visitante.
Esse valor é um limite previsto no edital. Portanto, a empresa poderá estabelecer uma tarifa inferior.
O ingresso básico deverá contemplar o acesso às trilhas, cachoeiras, centros de visitantes, receptivos, banheiros, bebedouros e outras estruturas públicas de visitação.
Já serviços complementares poderão ter cobrança própria. Entre eles estão o teleférico, estacionamento, alimentação, passeios guiados e outras experiências.
O projeto também prevê 80% de desconto para moradores de Caldas Novas, Rio Quente e Marzagão, conforme as condições estabelecidas no modelo de concessão.
Também estão previstas regras de meia-entrada para idosos, estudantes, professores, pessoas com deficiência, doadores de sangue, medula ou órgãos e beneficiários de programas sociais. Crianças de até 3 anos e outros grupos previstos no edital poderão ter entrada gratuita.
Nova concessão prevê 35 anos de contrato
O atual projeto não é a primeira tentativa de conceder os serviços de visitação do parque.
Em setembro de 2025, o Governo de Goiás havia lançado outro edital. Na ocasião, o contrato previsto seria de 30 anos e teria valor estimado de aproximadamente R$ 305,4 milhões. O processo terminou sem propostas de empresas interessadas.
Agora, o novo modelo prevê 35 anos de concessão e valor estimado do contrato de aproximadamente R$ 297,4 milhões.
Os investimentos em infraestrutura e serviços ao longo do período estão estimados em R$ 221,3 milhões.
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Mesmo com a concessão dos serviços turísticos, o parque continuará público. A Semad seguirá responsável pela gestão ambiental, fiscalização, proteção territorial, manejo dos recursos naturais e pesquisas científicas.
Ou seja, a concessão não significa que a Serra de Caldas será vendida. O que está em discussão é a operação dos serviços ligados à visitação.
Parque protege a serra que ajuda a explicar as águas quentes da região
A importância do PESCaN vai muito além do turismo.
Criado em 1970, o Parque Estadual da Serra de Caldas Novas foi o primeiro parque estadual de Goiás. A unidade possui 12.315,358 hectares e protege o topo, as cristas, as encostas e outras áreas da Serra de Caldas.
A serra chega a 1.043 metros de altitude e possui formato elíptico. Sua formação geológica está relacionada a rochas sedimentares que passaram por processos de metamorfismo de baixo grau e tiveram origem em um ambiente marinho há cerca de um bilhão de anos.
A estrutura geológica da região também está ligada ao fenômeno das águas termais que tornou Caldas Novas e Rio Quente destinos conhecidos em todo o Brasil.
A água da chuva se infiltra pelas fraturas das rochas, alcança regiões mais quentes em profundidade e depois retorna à superfície. Esse processo participa da formação das nascentes termais da região.
Por isso, qualquer projeto turístico na área precisa conviver com a preservação desse patrimônio natural.
Cachoeiras, cânions e mirantes continuam sendo os protagonistas
Mesmo com todas as novidades previstas na concessão, são as paisagens naturais que continuam sendo o grande motivo para conhecer o parque.
O PESCaN reúne Cerrado, cânions, trilhas, mirantes e cachoeiras. A quantidade de água nas quedas varia de acordo com a estação do ano.
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A Cachoeira da Cascatinha, por exemplo, fica a aproximadamente 400 metros de trilha em meio à vegetação. Durante a estiagem, a vazão diminui. Entre novembro e maio, a queda costuma apresentar melhores condições de água.
Já a Cachoeira da Confusão exige cerca de um quilômetro de caminhada depois do acesso próximo à portaria. Na época seca, a queda pode desaparecer, embora o poço permaneça.
A Cachoeira do Paredão também faz parte do roteiro. O percurso completo tem aproximadamente 1,5 quilômetro e passa por uma área cercada por paredões rochosos.
Há ainda a Rua de Pedra, um cânion formado por rochas sedimentares, e diferentes mirantes espalhados pela serra.
O Mirante do Minério fica próximo à Rua de Pedra. Já os mirantes da Pousada e do México estão na face voltada para Rio Quente. A Pedra do Amor, por sua vez, aparece durante a subida em direção ao topo da serra e oferece uma vista para Caldas Novas.
Agora, a proposta de concessão pretende acrescentar novas experiências a esse cenário. Se todas as etapas forem cumpridas, a Serra de Caldas poderá ganhar uma estrutura turística completamente diferente da que os visitantes conhecem hoje.
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Serviço
Parque Estadual da Serra de Caldas Novas – PESCaN
Localização: entre Caldas Novas e Rio Quente, Goiás
Situação atual: visitação gratuita
Novo projeto: concessão dos serviços de uso público e visitação
Prazo previsto da concessão: 35 anos
Investimentos previstos: R$ 221,3 milhões
Principais novidades previstas: teleférico, nova entrada por Rio Quente, skyglass, restaurantes, mirantes, melhorias em trilhas e estruturas de acessibilidade.
Importante: as novas estruturas ainda fazem parte do projeto de concessão e serão implantadas conforme as etapas e condições estabelecidas no contrato.









