Ao lado da árvore que caiu na quarta, há mais três com risco de queda. Foto: Luciano Magalhães
A Agência Municipal de Meio Ambiente de Goiânia (Amma) vai encaminhar, nesta sexta-feira (23), um novo relatório técnico reforçando ao Ministério Público de Goiás (MPGO) e à Justiça, a necessidade da remoção de árvores condenadas no Parque Lago das Rosas. A ação acontece após a queda de uma árvore doente durante a tempestade da última quarta-feira (21), cuja supressão foi vetada pelo MPGO. O relatório anterior, apresentado pela agência, listava mais de 40 exemplares condenados com risco à população.
Em entrevista exclusiva ao Diário de Goiás, a bióloga e Analista Ambiental da Amma que assina o relatório técnico, Wanessa de Castro, confirmou que o documento já foi preparado em regime de urgência. “O relatório já está pronto, nós vamos encaminhar hoje, tanto para o MPGO quanto para a Justiça, relatando e reforçando, mais uma vez, a necessidade desse manejo antes que as chuvas com ventos fortes cheguem e ocorram mais acidentes, porque do lado daquela árvore que caiu tem mais três que estão condenadas que vão cair também”, destacou a especialista.
A analista ambiental espera que o órgão seja favorável à remoção, que deve acontecer em caráter emergencial e imediato. “Estamos falando de risco para a população. De uma área que tem um trânsito grande de pessoas, por conta dos Zooógico, por conta do parque, por conta dos hospitais que estão ali em volta ali. A nossa intenção é preservar a vida das pessoas. Estamos confiantes, e assim que for liberado nós vamos retomar de imediato o manejo”, reforçou Wanessa.
Remoção vedada pelo MPGO
Segundo Wanessa, a Amma possui atribuição para fazer as retiradas e substituições, no entanto, no caso do Lago das Rosas, o MPGO barrou a medida, embargando a remoção. “Já temos atribuição para fazer isso, por lei, inclusive. Só que, no caso do Lago das Rosas, houve uma medida, ajuizaram uma ação, e dentro dessa ação foi emitida uma medida cautelar proibindo o manejo dessas árvores”, explicou.
O Parque Lago das Rosas passa por obras de revitalização, o que fez necessária uma análise mais detalhada por parte da Amma para a realização da composição florística do local. De acordo com Wanessa, a última reforma do parque aconteceu entre os anos de 2008 e 2010, em que foram removidas várias árvores, e agora, uma nova análise identificou mais de 40 exemplares com necessidade de substituição e supressão, ou seja, que estão condenadas e oferecem risco.
A bióloga explica que essas análises são feitas periodicamente por uma equipe de especialistas, e que a atribuição da agência é, justamente, definir os manejos arbóreos e cumprir com o Plano Diretor de Arborização Urbana. “São analistas ambientais, entre biólogos, agrônomos, engenheiros florestais, concursados há mais de 15 anos, que têm uma experiência, são especializados. Então, no momento da vistoria, é verificado todo o sistema da árvore, em questão de patologia, se ela tem fungos, se ela tem uma brocas, se ela está infestada por cupins. Desde o sistema radicular dela, que são as raízes, até a copa, tudo é verificado nessas análises técnicas”, detalhou Wanessa.
Em nota ao Diário de Goiás, o MPGO justificou que autorizou as podas e vetou apenas a supressão das árvores. “As liminares autorizaram a continuidade das obras de revitalização do Parque Lago das Rosas e a realização de podas estritamente necessárias à segurança dos frequentadores, vedando a supressão definitiva de árvores até que seja demonstrada, por meio de laudos individualizados e acessíveis, a necessidade de cada remoção e a inexistência de alternativa técnica menos gravosa”, afirmou.
Wanessa destacou que no relatório apresentado pela Amma ao MPGO é informado o laudo individual de cada exemplar. “O relatório individualizado foi elaborado, cada árvore foi listada, o que ela precisa, qual é o estado fitossanitário dela. Se ela está doente, se ela foi tratada com um ataque de cupim, se ela tá ocada. Esse relatório individualizado foi apresentado e foi assinado por todos os analistas da arborização. Então, foi uma decisão consensual. A gente vai manter o parecer com relação a essa necessidade de substituição, mesmo porque a gente tem estudos e dentro desse relatório. Agora a nossa questão é como a Justiça vai retirar essa medida para nós retomarmos o manejo das chuvas, que agora nós vamos ter um período de muita chuva e de muito vento”.
As análises e os relatórios apresentados aos órgãos seguem normas técnicas de classificação de risco. Nos casos das árvores condenadas, o próprio relatório esclarece que a supressão é indicada como única medida restante. Alguns exemplares mencionados estão em grau de risco 3, em que é recomendada a substituição quando ela não está com o estado fitossanitário adequado.
“O risco é de acidente, igual aconteceu essa semana. Nós recebemos uma queda de uma árvore que estava dentro do parecer e ela levou a fiação, danificou o poste, que teve que ser trocado, danificou a estrutura de um bar em frente. Se tivesse alguém se abrigando ali, poderia ter sofrido acidente. E isso tudo está dentro das regras da ABNT, que é a classificação de risco, e quando essa árvore está com risco de queda, ela está num local de circulação de pessoas, está com o estado fitossanitário comprometido, a gente faz a substituição para uma árvore com porte grande já, que vai ter um desenvolvimento rápido e que, com o tempo, ela já vai estar fornecendo seus benefícios ambientais”, detalha Wanessa, reforçando que a supressão não trará prejuizos.
Como já mostrado pelo Diário de Goiás, a presidente da Amma, Zilma Peixoto contesta a decisão do MPGO, e se preocupa com a agilidade do processo, temendo novas quedas, como a que ocorreu na quarta-feira. “É um mal que poderia ter sido evitado. Os técnicos da Amma emitiram o laudo, mostraram tecnicamente que o exemplar encontrava-se num processo fitossanitário comprometido”, disse.
Zilma alegou ainda que, na ação não houve nenhuma contraprova apresentada, mas por “morosidade” da Justiça, o processo não foi julgado. Sobre a questão da árvores caída, o MPGO alegou apenas que necessita de uma análise detalhada para esclarecer as circunstâncias.
“Quanto à árvore que caiu durante as chuvas ocorridas em 21 de outubro de 2026, em Goiânia, a identificação oficial do exemplar e a análise de suas condições e dos registros técnicos existentes são necessárias para esclarecer as circunstâncias do ocorrido e subsidiar eventual manifestação deste órgão ministerial”, justificou em nota ao DG.
Confira a nota do MPGO na íntegra:
A 15ª Promotoria de Justiça de Goiânia informa que, tanto na Ação Civil Pública nº 5456366-16.2026.8.09.0051, proposta pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), quanto na Ação Popular nº 5460644-60.2026.8.09.0051, proposta por Thales José Jayme, ambas em face do Município de Goiânia e da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), foram deferidas tutelas de urgência. Entre outras medidas, as liminares autorizaram a continuidade das obras de revitalização do Parque Lago das Rosas e a realização de podas estritamente necessárias à segurança dos frequentadores, vedando a supressão definitiva de árvores até que seja demonstrada, por meio de laudos individualizados e acessíveis, a necessidade de cada remoção e a inexistência de alternativa técnica menos gravosa.
Assim, a Amma permaneceu autorizada a adotar as medidas necessárias à segurança dos frequentadores, observados os limites estabelecidos judicialmente, inclusive mediante podas e, quando insuficientes, medidas de isolamento e proteção.
Quanto à árvore que caiu durante as chuvas ocorridas em 21 de outubro de 2026, em Goiânia, a identificação oficial do exemplar e a análise de suas condições e dos registros técnicos existentes são necessárias para esclarecer as circunstâncias do ocorrido e subsidiar eventual manifestação deste órgão ministerial.
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