Uma nova espécie de planta do Cerrado ganhou um nome que homenageia a ambientalista e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. Batizada de Chamaecrista marinasilvae, a espécie foi identificada na região do Jalapão, no Tocantins, e teve sua descrição científica publicada na revista Nordic Journal of Botany.
A descoberta chama atenção não apenas pela homenagem. A planta é endêmica do Tocantins e já enfrenta riscos relacionados à perda de habitat. Além disso, apesar de ser uma novidade para a ciência, exemplares da espécie já estavam guardados em herbários, identificados anteriormente como outra planta.
Foto: Reprodução/WWF Juan PRATGINESTOS
Espécie era confundida com outra planta do Cerrado
A identificação ocorreu após análises morfológicas realizadas por uma equipe de pesquisadores. O estudo reconheceu diferenças entre a Chamaecrista marinasilvae e a Chamaecrista juruenensis, espécie com a qual era confundida.
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A pesquisa foi conduzida por Késia Ramos Miranda, Raiana Rocha de Souza, Marcelo Fragomeni Simon e Juliana Gastaldello Rando, com colaboração da Universidade Federal do Oeste da Bahia e da Embrapa Cenargen.
A planta pode medir entre 1,5 e 3 metros de altura. Ela cresce como arbusto ou árvore esguia, tem ramos avermelhados ou esbranquiçados e flores amarelas.
A espécie ocorre em áreas de campo sujo e cerrado rupestre, em terrenos arenosos e pedregosos. Os registros apontam presença em altitudes entre 506 e 666 metros.
Planta já é considerada ameaçada de extinção
Mesmo após o reconhecimento científico, a Chamaecrista marinasilvae já aparece como uma espécie em risco. Uma avaliação preliminar, baseada nos critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), classificou a planta como “Em Perigo” (EN).
Entre as principais ameaças estão a expansão agrícola na região do Matopiba, a pressão do turismo e os incêndios. Atualmente, a espécie está protegida apenas dentro dos limites da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins.
A descoberta reforça a importância de pesquisas que identificam espécies e ajudam a compreender onde vivem e quais fatores colocam sua sobrevivência em risco.
Marina Silva celebra homenagem
Marina Silva comemorou a homenagem em uma publicação nas redes sociais. Ela agradeceu aos pesquisadores e descreveu o reconhecimento como uma homenagem que “floresce no Cerrado”.
A ex-ministra também afirmou que esta é a terceira vez que uma espécie biológica recebe um nome científico em sua referência. Na publicação, destacou a contribuição da ciência para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e ressaltou a importância das unidades de conservação.
A identificação da nova planta acrescenta mais um registro à diversidade do Cerrado. Ao mesmo tempo, evidencia o desafio de proteger espécies que podem desaparecer antes mesmo de serem amplamente conhecidas.









