Operações priorOperações retiraram 10 aeronaves de circulação, entre julho e outubro deste ano. Foto: Bruno Mancinelle/Casa de Governo
Uma ampla ofensiva de combate ao garimpo ilegal nas Terras Indígenas Yanomami, em Roraima, desmantelou estruturas logísticas e financeiras da mineração clandestina entre os meses de julho e outubro de 2026. Sob a coordenação da Casa de Governo, órgão vinculado à Casa Civil da Presidência da República, as Forças de Segurança e órgãos ambientais realizaram 1.391 ações de fiscalização no período, retirando 10 aeronaves de circulação, sendo seis inutilizadas e quatro apreendidas, e destruiu 15 pistas de pouso clandestinas. O impacto financeiro direto causado aos criminosos é estimado em R$ 67 milhões.
A estratégia das operações priorizou o corte das rotas de suprimento aéreo e fluvial que abastecem os garimpos encravados na floresta. Durante o trimestre de operações, os agentes desmobilizaram 67 acampamentos, destruíram 14 balsas e inutilizaram 15 embarcações.
Para paralisar o maquinário pesado, a fiscalização apreendeu e destruiu carregamentos de combustível: foram cerca de 12 mil litros de diesel, 5.050 litros de gasolina e milhares de litros de querosene de aviação interceptados.
As forças federais também retiraram do circuito ilegal 92,8 quilos de mercúrio, metal altamente tóxico utilizado no garimpo de ouro, e aproximadamente 8,8 toneladas de cassiterita. Além disso, equipamentos de comunicação de alta tecnologia, como antenas de internet via satélite (Starlink Mini), aparelhos de GPS, motores, geradores e armas de fogo foram apreendidos em pontos de apoio e áreas rurais.
Redução de 99% dos garimpos
A constância das operações de patrulhamento e ocupação territorial permitiu manter a redução de 99% da atividade garimpeira em relação aos picos históricos no território Yanomami.
No balanço acumulado de março de 2024 a outubro de 2026, o Governo Federal registra um total de 12.296 ações promovidas na região. Nesse intervalo de dois anos e meio de combate contínuo, os resultados consolidados apontam para:
- 66 aeronaves apreendidas ou inutilizadas;
- 109 pistas de pouso clandestinas destruídas;
- 992 acampamentos garimpeiros desmobilizados;
- R$ 815 milhões em prejuízo financeiro acumulado infligido ao garimpo ilegal.
Integração das Forças Armadas e órgãos de fiscalização
O êxito das incursões foi graças à atuação conjunta e articulada de múltiplos órgãos federais. Operações de grande impacto, como a Pouso Zero e as edições VI e VII da Flecha Noturna, mobilizaram tropas de operações especiais do Exército Brasileiro, da Marinha e da Força Aérea no âmbito do Comando Conjunto Catrimani II.
Em campo, as equipes contaram com a participação de agentes do Ibama, da Funai, da Força Nacional, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). As investigações e bloqueios não se limitaram à calha dos rios Uraricoera, Catrimani e Apiaú, alcançando também a capital Boa Vista, onde oficinas clandestinas e hangares de manutenção de aeronaves foram alvo de fiscalização para interromper a cadeia de apoio logístico ao crime.
Leia mais sobre: Cidades









