HGG chega a 1,5 mil transplantes e Goiás tem 2,6 mil pessoas na fila de espera

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HGG celebrou, nesta sexta-feira (6), a marca de 1,5 mil transplantes realizados desde 2017. Unidade é considerada o maior centro transplantador do Centro-Oeste. Foto: ASCOM IDTECH.

O Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG), em Goiânia, alcançou a marca de 1,5 mil transplantes realizados desde a implantação do serviço, em 2017. O número foi celebrado em uma solenidade nesta sexta-feira (6), que também marcou o anúncio do início do processo de credenciamento de novas equipes transplantadoras de fígado e rins, com o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento na rede pública de saúde.

Durante o evento, o secretário de Estado da Saúde, Rasível dos Reis Santos Júnior, informou que 2.619 pessoas aguardam por transplantes em Goiás. A maior parte dos pacientes está na fila por córneas, com 1.887 pessoas, seguida pelos transplantes renais, que somam 724 pacientes. Também há sete pessoas à espera de um fígado e uma de pâncreas. Não há pacientes aguardando transplante combinado de rim e pâncreas.

Segundo o secretário, o HGG conta atualmente com 32 leitos específicos para atendimento de pacientes transplantados, sendo seis destinados ao transplante de medula óssea. A unidade realiza procedimentos de rim, fígado, pâncreas e medula óssea pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é considerada o maior centro transplantador do Centro-Oeste.

“É uma estrutura de saúde muito bem pensada, planejada, que agora conta com 32 leitos específicos para transplantes. É uma importância muito grande a quantidade de transplantes renais, hepáticos, de rim e pâncreas que a gente tem realizado aqui, e agora também com a medula óssea”, afirmou Rasível.

O secretário destacou que o Estado trabalha para ampliar o número de equipes responsáveis pelos procedimentos. O processo de credenciamento já foi iniciado, com previsão de incorporar pelo menos mais uma equipe de transplante hepático. A ampliação busca atender à demanda da população e fortalecer a atuação de Goiás na área.

Rasível também ressaltou que o volume de procedimentos realizados no HGG permite que o Estado auxilie outras unidades da Federação. Segundo ele, Goiás já prestou apoio a pacientes dos estados de Mato Grosso e da Bahia. Para o secretário, a experiência acumulada contribui para aprimorar a eficiência e a qualidade dos resultados.

“Quando a gente tem volume, amplia também a qualidade, porque o que fazemos em maior quantidade fazemos com mais eficiência, com mais qualidade e melhores resultados”, declarou.

Doação de órgãos

Apesar da estrutura disponível, a ampliação dos transplantes depende da autorização das famílias para a doação de órgãos. De acordo com o secretário, 66% das famílias abordadas em Goiás recusam a doação, percentual superior à média nacional, de 45%.

Rasível afirmou que o Estado já dispõe de capacidade instalada para aumentar o número de procedimentos, mas a disponibilidade de órgãos é um dos principais fatores que limitam a expansão do serviço.

“Hoje, nós temos capacidade de aumentar o número de transplantes com a capacidade instalada que temos, mas precisamos dos órgãos para fazer o transplante. Então, precisamos contar com a solidariedade de todas as famílias”, disse.

O secretário também destacou a importância de conversar sobre a doação de órgãos dentro de casa, para que a vontade de ser doador seja conhecida pelos familiares. A autorização da família é necessária para que a doação seja efetivada após a confirmação da morte encefálica.

Ele lembrou que o transplante pode transformar a rotina de pacientes que convivem com doenças crônicas. No caso de pessoas com insuficiência renal, por exemplo, o procedimento pode representar o fim da necessidade de sessões frequentes de hemodiálise, que geralmente exigem deslocamentos e horas de tratamento várias vezes por semana.

“A gente precisa que as pessoas conversem sobre esse assunto em casa e digam sim para a doação de órgãos. É um momento de dor para as famílias, de perda, mas a solidariedade pode ajudar outras pessoas que também estão na luta para superar uma doença”, afirmou.

Homenagem

A solenidade também prestou uma homenagem póstuma ao médico nefrologista Júlio César Soares Barreto, que integrou a equipe de transplantes do HGG. Ele morreu em Goiânia no dia 31 de outubro de 2026, aos 57 anos. O marco de 1,5 mil procedimentos reforça a atuação do hospital na rede pública de transplantes e ocorre em um cenário no qual milhares de pacientes ainda dependem da doação de órgãos para ter acesso ao tratamento.


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