Fundo imobiliário ligado ao Sicoob prevê movimentar R$ 1 bilhão em negócios

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FINU11, fundo criado pela Central Sicoob Uni e pelo Sicoob Nova Central, iniciou as atividades com aporte de R$ 100 milhões e pretende movimentar até R$ 1 bilhão em operações imobiliárias. Foto: Reprodução/Wikipedia.

Um fundo de investimento imobiliário ligado ao cooperativismo de crédito pretende movimentar até R$ 1 bilhão em operações nos próximos meses. O Fundo de Investimento Imobiliário FINU11 foi criado por iniciativa da Central Sicoob Uni e do Sicoob Nova Central, com aporte inicial de R$ 100 milhões, e busca ampliar as alternativas de financiamento para incorporadoras e loteadoras.

A iniciativa marca a entrada do segmento cooperativista nesse modelo de atuação no mercado de capitais e pretende oferecer recursos para empreendimentos imobiliários, além de contribuir para a governança dos projetos financiados. Embora tenha raízes em Goiás, o fundo poderá atuar em diferentes regiões do país, incluindo mercados consolidados do Sudeste.

A MAG Investimentos, integrante do grupo Mongeral Aegon, foi selecionada para fazer a gestão do fundo. A empresa já mantinha outros projetos com a instituição financeira.

“O FII nasce em um momento de transformação das fontes de financiamento do setor imobiliário e busca conectar capital e projetos por meio de estruturas mais adequadas às características de cada empreendimento. Para a MAG, esta iniciativa com as centrais do Sicoob levará acesso ao mercado de capitais para muitos cooperados”, afirma Tomaz de Gouvêa, sócio-diretor da MAG Investimentos.

Fundo busca alternativas para financiar o setor imobiliário

A criação do FINU11 ocorre em um cenário de mudanças nas fontes tradicionais de financiamento habitacional no Brasil. O vice-presidente da Central Sicoob Uni, Argemiro Mendonça, avalia que o sistema enfrenta restrições na disponibilidade de recursos para atender às demandas do setor.

“O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que sempre irrigaram o setor, estão desidratados”, afirma Mendonça.

Segundo o dirigente, parte das dificuldades está relacionada à utilização dos recursos do FGTS e à perda de atratividade da caderneta de poupança como alternativa de investimento para a população. Na avaliação dele, esse cenário reforça a necessidade de buscar novas fontes de capital para financiar projetos de infraestrutura e habitação.

Nesse contexto, o FINU11 pretende aproximar investidores e empreendimentos imobiliários por meio de operações estruturadas conforme as características de cada projeto.

Além do aporte financeiro, a proposta prevê mecanismos de governança para os empreendimentos, com a possibilidade de atuação em diferentes mercados regionais.

Iniciativa amplia atuação do cooperativismo no mercado de capitais

Para o presidente do Conselho de Administração do Sicoob Secovicred, cooperativa filiada ao Sicoob Nova Central, Ioav Blanche, o fundo representa uma mudança na forma como o cooperativismo financeiro pode participar do financiamento da economia.

Segundo ele, a iniciativa demonstra que o segmento pode ir além da oferta tradicional de crédito e desenvolver soluções ligadas ao mercado de capitais. “Estamos consolidando esse projeto, com muito investimento de tempo e recursos. E nesse contexto, fechar negócios é um indicativo que estamos no caminho certo”, afirma Blanche.

A consolidação das primeiras operações do FINU11, segundo os responsáveis pelo projeto, representa um passo para validar a estratégia de investimento e a capacidade operacional do fundo.

A expectativa é ampliar a participação do sistema cooperativista no financiamento imobiliário, utilizando estruturas capazes de atender às necessidades de incorporadoras e loteadoras e de diversificar as fontes de recursos disponíveis para o setor.

Captações no mercado de capitais superam R$ 360 bilhões

O lançamento do fundo ocorre em um período de forte movimentação no mercado de capitais brasileiro. No primeiro semestre de 2026, as captações ultrapassaram R$ 360 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

O resultado foi o maior registrado para o primeiro semestre nos últimos 15 anos da série histórica da entidade.

Esse cenário amplia as possibilidades de utilização do mercado de capitais como fonte de financiamento para diferentes setores da economia, incluindo o imobiliário.

Com aporte inicial de R$ 100 milhões e meta de movimentar até R$ 1 bilhão em operações nos próximos meses, o FINU11 busca consolidar um modelo de atuação que conecte o cooperativismo financeiro às demandas por capital do setor imobiliário brasileiro.


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