Luiz Cesar Bueno anuncia novos atos por Lula e promete ofensiva para conquistar 400 mil votos em Goiás

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Mobilização espontânea de apoiadores exige organização e anuncia novas manifestações e atividades eleitorais até o segundo turno. Foto: Guilherme Gardinni.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Goiás pretende ampliar a mobilização nas ruas, organizar as atividades espontâneas de apoiadores e conquistar novos votos até o segundo turno das eleições. A estratégia inclui manifestações em Goiânia, carreatas e caminhadas no interior, além de articulações com lideranças políticas e representantes da sociedade civil que não apoiaram o petista no primeiro turno. A meta é alcançar 1,5 milhão de votos no estado, resultado semelhante ao registrado por Lula em 2022.

Em entrevista ao editor-chefe do Diário de Goiás, Altair Tavares, o ex-candidato ao governo de Goiás e atual coordenador da campanha de Lula no estado, Luiz Cesar Bueno, afirmou que o movimento de apoiadores tem crescido e, em alguns momentos, ultrapassado a capacidade de organização da própria coordenação. Segundo ele, foram realizadas 27 atividades em diferentes municípios goianos no dia anterior à entrevista. Na véspera do primeiro turno, conforme relatou, houve 78 carreatas.

Estamos procurando acompanhar esse movimento, construir um calendário e organizar as rotas de apoio.

Bueno também confirmou a preparação de novas ações em Goiânia e no interior, incluindo uma manifestação prevista para quarta-feira, às 18h, na Praça Universitária, com a participação do ministro Guilherme Boulos. Para o coordenador, a mobilização demonstra a existência de um ambiente favorável à ampliação da votação de Lula, embora ele reconheça que a disputa permanece difícil e exige cautela da militância.

“Entendemos que realmente existe um clima de virada, mas nossa militância precisa manter muita humildade, tanto nas redes sociais quanto nas ruas. A disputa é muito difícil”, afirmou.

Mobilização espontânea desafia coordenação

Ao assumir a coordenação da campanha em Goiás, Bueno encontrou uma série de atividades organizadas por diretórios municipais do PT, partidos aliados e apoiadores sem uma estrutura centralizada. O desafio, segundo ele, passou a ser acompanhar as iniciativas, garantir materiais de campanha e evitar que os grupos mobilizados no interior fiquem sem apoio.

O coordenador relatou que se reuniu com integrantes da direção nacional e recebeu a missão de organizar o trabalho no estado. Em seguida, procurou a coordenadora executiva da campanha, Lívia Aparecida, para compreender a dimensão das mobilizações que já estavam em andamento. “Houve um atropelo da campanha espontânea sobre a direção, tanto a direção do partido quanto a coordenação da campanha”, disse.

De acordo com Bueno, a mobilização não se restringe à capital. Parlamentares estaduais e federais estão percorrendo diferentes regiões para participar de atividades e dialogar com eleitores. A deputada Bia, segundo ele, está na região Sudoeste; o deputado Mauro Rubem atua na Grande Goiânia; e o deputado Antônio Gomide participa de uma agenda no Norte e Nordeste goiano. “Estamos acompanhando todas essas rotas pelo interior para que os apoiadores não fiquem abandonados”, afirmou.

Além das atividades organizadas por partidos e parlamentares, a coordenação pretende ampliar o diálogo com setores que não integram formalmente a base petista. Bueno anunciou uma reunião para a próxima quinta-feira com pessoas que não fazem parte do PT nem da Frente Brasil Esperança e que não apoiaram Lula no primeiro turno.

Estamos procurando parlamentares que possam manifestar apoio e vamos nos reunir com esse grupo na próxima quinta-feira.

A intenção é aproveitar o período restante da campanha para ampliar alianças e buscar eleitores que votaram em outros candidatos ou ainda não definiram sua escolha.

Campanha quer ampliar votação em pelo menos 400 mil votos

A meta estabelecida pela coordenação estadual é alcançar 1,5 milhão de votos para Lula em Goiás. No primeiro turno de 2022, o presidente recebeu 41,25% dos votos válidos no estado, o equivalente a aproximadamente 1,5 milhão de votos. Para Bueno, alcançar novamente esse patamar exige uma expansão significativa em relação ao desempenho do primeiro turno de 2026.

Precisamos crescer em Goiás pelo menos 400 mil votos para cumprir essa meta.

O coordenador atribui parte da movimentação recente à entrada de novos segmentos na campanha nacional, especialmente jovens, estudantes e grupos ligados à cultura e à música. Na avaliação dele, a participação desses setores contribui para ampliar o alcance do candidato, mas não elimina a necessidade de organização política e de trabalho direto com o eleitorado. “A entrada dos estudantes, dos fã-clubes e dos grandes popstars fez diferença”, disse.

Apesar da avaliação positiva, Bueno destacou que a campanha não pode tratar o cenário como uma vitória antecipada. Para ele, a ampliação dos votos depende de mobilização permanente, presença nos municípios e capacidade de dialogar com pessoas que ainda não decidiram em quem votar.

A coordenação também pretende manter o fornecimento de materiais para os apoiadores. Segundo Bueno, há uma procura intensa por bandeiras, adesivos e bottons. Uma remessa chegou na segunda-feira anterior à entrevista, e a expectativa era receber novos materiais no meio da semana. “Estamos assumindo agora o compromisso de manter o fornecimento de material”, afirmou.

O grupo também está produzindo materiais com recursos próprios e promovendo uma campanha de arrecadação para ampliar a distribuição. Bueno considera que essa frente está encaminhada, mas reconhece que o volume de atividades exige uma resposta rápida da estrutura de campanha.

Coordenação pretende explorar temas nacionais

Além das mobilizações presenciais, a campanha pretende intensificar a participação de parlamentares em debates nos meios de comunicação. Bueno afirmou que a coordenação estadual tem buscado aproveitar temas nacionais que, na avaliação dele, abriram espaço para questionamentos sobre a campanha adversária.

Entre os assuntos citados estão a controvérsia envolvendo o canal Exércitos do Lula, a discussão sobre intolerância religiosa e a presença de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. O coordenador também mencionou o anúncio de uma proposta de mudança na Constituição, que, segundo ele, provocou dúvidas entre representantes de entidades civis organizadas e integrantes do meio jurídico.

“Temos aproveitado essas brechas para promover o debate em defesa da soberania do Brasil e dos avanços que o Estado brasileiro tem alcançado nos últimos anos”, declarou. Bueno afirmou que a campanha pretende associar esses debates à defesa do desenvolvimento econômico, das condições para o setor produtivo e dos direitos dos trabalhadores.

Queremos garantir condições para o setor produtivo, estrutura, desenvolvimento econômico e proteção aos direitos dos trabalhadores.

A estratégia, segundo ele, envolve combinar a presença nas ruas com a discussão de temas nacionais, buscando ampliar a mobilização para além dos eleitores que já apoiam o PT.

Manifestação na Praça Universitária reuniu diferentes setores

Ao comentar a manifestação realizada na véspera da entrevista, na Praça Universitária, em Goiânia, Bueno afirmou que o ato inicialmente previsto como uma mobilização estudantil ganhou proporções maiores e reuniu diferentes segmentos da sociedade.

O coordenador citou estimativas divergentes de público, que variaram entre 25 mil e 35 mil pessoas. Ele destacou que a marcha ocupou um trajeto significativo entre a Praça Universitária e a Praça Cívica, no centro da capital. “A manifestação inicialmente seria um ato dos estudantes. Posteriormente, percebemos que setores amplos da sociedade também estavam presentes”, afirmou.

Bueno relatou que, quando os primeiros participantes chegavam à Praça Cívica, a manifestação ainda estava em deslocamento a partir da Praça Universitária. Quando os grupos se reuniram, segundo ele, o espaço ficou completamente ocupado.

“Foi um grande ato, que demonstrou a força de uma parcela da população preocupada com o sistema político brasileiro e com a possibilidade de voltarmos a um período de ostracismo, de ditadura e de autoritarismo, como ocorreu na Europa nas décadas de 1930 e 1940”, declarou.

Na avaliação do coordenador, a manifestação representa um sinal de mobilização de setores preocupados com os rumos da democracia brasileira. Ele, contudo, defendeu que a energia demonstrada nas ruas seja convertida em trabalho eleitoral e ampliação de votos.

“Acho que estamos conseguindo ampliar a campanha. Agora, precisamos unir todos para eleger o presidente Lula”, afirmou.

Boulos deve participar de novo ato em Goiânia

A agenda de mobilização prevê novas atividades em Goiânia e em municípios do interior até o dia 25. Segundo Bueno, o ministro Guilherme Boulos tem visita prevista para quarta-feira, com um ato às 18h, novamente na Praça Universitária. Uma coordenação já trabalha na organização da atividade.

Também estão previstas carreatas em Itumbiara e Catalão, além de uma caminhada em Iporá e ações na região metropolitana de Brasília. Bueno afirmou que pretende percorrer pessoalmente municípios do interior e garantir a presença da coordenação estadual nas atividades.

“Vou consultar, daqui a pouco, o calendário atualizado dos eventos, mas teremos atividades em Goiânia e no interior. Pessoalmente, pretendo percorrer os municípios do interior e garantir a presença da coordenação da campanha nessas localidades”, disse.

O planejamento busca dar suporte às mobilizações que surgiram de maneira descentralizada e integrar as iniciativas locais a uma estratégia estadual. A intenção é aproveitar os últimos dias de campanha para aumentar a presença de Lula em regiões onde a disputa permanece aberta.

Aliança entre Caiado e Flávio Bolsonaro

Questionado sobre a aliança política entre o governador Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro e sobre o peso eleitoral dos grupos que representam, Bueno afirmou que a disputa deve ser compreendida como um confronto entre projetos para o país.

Segundo ele, a campanha de Lula tem identificado movimentos de aproximação entre eleitores de diferentes grupos políticos, inclusive pessoas que votaram em candidatos de direita no primeiro turno. O coordenador citou eleitores de Caiado, de Cury e de Zema entre os segmentos nos quais a campanha pretende avançar.

Na verdade, trata-se de uma disputa de projetos. Independentemente do voto dado a Daniel Vilela, parte da população tem migrado muito para a campanha do presidente Lula.

Bueno afirmou que a campanha busca crescer tanto entre os indecisos quanto entre eleitores que ainda avaliam as opções para o segundo turno. Na avaliação dele, a preocupação com a democracia, a soberania nacional e o desenvolvimento econômico pode influenciar essa movimentação.

“Estamos crescendo de duas formas: entre os indecisos, entre aqueles que ainda não decidiram em quem votar e, sobretudo, entre os eleitores de Ronaldo Caiado, de Cury, de Zema e de outros grupos. Estamos avançando nesses segmentos”, disse.

O coordenador reconheceu, porém, que a campanha adversária mantém uma base consolidada entre os eleitores de Bolsonaro. Por isso, a estratégia petista também passa por estimular a participação de pessoas que não compareceram às urnas no primeiro turno e conquistar votos de eleitores que escolheram outros candidatos.

“Queremos crescer trabalhando para conquistar votos, mas sabemos que nosso potencial está também em levar novos eleitores a votar no presidente Lula”, afirmou.

Ele acrescentou que, do ponto de vista matemático, a ampliação da votação precisa ocorrer por meio da conquista de votos de outros candidatos e da participação de eleitores que se abstiveram na primeira etapa da eleição.

Direção nacional concentra esforços no Sudeste e no Centro-Oeste

Bueno afirmou que a direção nacional da campanha identifica sinais iniciais de recuperação de Lula nas pesquisas, mas ressaltou que ainda é necessário avançar em regiões estratégicas para consolidar esse movimento. “As pesquisas da direção nacional já apontam uma pequena virada, embora ainda seja um movimento inicial”, declarou.

Segundo o coordenador, os esforços nacionais estão concentrados especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste, com atenção particular a Minas Gerais. Ele informou que uma força-tarefa estava prevista para São Paulo naquela semana, enquanto uma ofensiva no Rio de Janeiro seria preparada para a semana seguinte.

“Precisamos crescer sobretudo no Sudeste e no Centro-Oeste, especialmente em Minas Gerais. Estamos avançando em Minas”, afirmou. Na sequência, a campanha pretende direcionar esforços também ao Rio de Janeiro, ao Centro-Oeste e ao Sul do país. No Nordeste, de acordo com Bueno, os governadores estão à frente da mobilização para ampliar a votação do presidente.

O coordenador estimou que esse trabalho poderá aumentar entre 15% e 20% a votação de Lula na região em comparação com o primeiro turno. A expectativa integra a estratégia nacional de crescimento eleitoral, que depende de avanços em diferentes regiões para garantir o resultado no segundo turno.

Ex-candidato ao governo defende união interna

Ao comentar a escolha de seu nome para coordenar a campanha em Goiás, Bueno reconheceu a existência de divergências internas, mas afirmou que o momento exige unidade entre as diferentes correntes do partido, parlamentares e forças políticas aliadas.

Ele relembrou sua candidatura ao governo de Goiás em 2026 e afirmou que entrou na disputa em condições adversas, após ser escolhido poucos dias antes da convenção partidária. Mesmo diante das dificuldades, segundo ele, a candidatura conseguiu reunir sete partidos e terminar em terceiro lugar, com aproximadamente 360 mil votos.

“Não podemos ficar lamentando isso agora. Saí candidato ao governo em uma situação muito adversa. Poderia ter saído em janeiro, é verdade. Fui escolhido em uma quinta-feira, quando a convenção seria realizada no sábado”, afirmou.

Para Bueno, a campanha teve um resultado positivo diante das circunstâncias, embora pudesse ter alcançado um desempenho superior caso tivesse sido estruturada com mais antecedência e alinhada desde o início à campanha presidencial.

“Se tivéssemos feito, desde o início, uma campanha alinhada à do presidente Lula, promovido encontros regionais e percorrido todo o Estado, certamente poderíamos ter alcançado um resultado melhor e, quem sabe, chegado ao segundo turno. Mas isso já passou”, declarou.

O coordenador disse considerar a candidatura vitoriosa por ter alcançado a terceira colocação e reunido uma base eleitoral expressiva. Agora, segundo ele, o objetivo é superar as divergências e concentrar os esforços no segundo turno presidencial.

“Acho que fizemos uma campanha vitoriosa. Conseguimos chegar ao terceiro lugar, com 360 mil votos. Agora, nosso trabalho é unir o partido, todos os parlamentares, as forças políticas e as diferentes tendências para viabilizar nossa meta: eleger o presidente Lula e alcançar 1,5 milhão de votos em Goiás. Essa é a nossa meta”, concluiu.

Confira a entrevista na íntegra:

Altair Tavares: Luiz Cesar, a votação de 2022 foi de 41,25% dos votos para Lula em Goiás, cerca de 1,5 milhão de votos. Como vocês avaliam o cenário atual e a possibilidade de ampliar esse resultado?

Luiz Cesar: Na votação de 2022, tivemos 41,25% dos votos, cerca de 1,5 milhão de votos. Então, precisamos crescer em Goiás pelo menos 400 mil votos para cumprir essa meta. Só que não foi apenas aqui em Goiás: em todo o Brasil, houve um fator muito importante, que foi a entrada da juventude.

A entrada dos estudantes, dos fã-clubes e dos grandes popstars fez diferença. Então, entendemos que realmente existe um clima de virada, mas nossa militância precisa manter muita humildade, tanto nas redes sociais quanto nas ruas. A disputa é muito difícil.

Altair Tavares: Como esses movimentos, em específico aqui em Goiânia estão ativando essa busca pelos mais de 400 mil votos?

Houve um atropelo da campanha espontânea sobre a direção, tanto a direção do partido quanto a coordenação da campanha. Tive uma reunião com Edinho, Camilo e Rui Costa, na quinta-feira, quando me pediram para assumir a coordenação em Goiás. Imediatamente, procurei Lívia Aparecida, que é a coordenadora executiva, para que pudéssemos ao menos entender o que estava acontecendo, porque nem isso estávamos conseguindo saber.

Por exemplo, ontem tivemos 27 atividades espalhadas por todo o Estado. Na véspera do primeiro turno, tivemos 78 carreatas. Nesta semana, tanto durante os dias úteis quanto no fim de semana, dezenas de atividades estão sendo organizadas no interior.

Essas atividades, porém, estão sendo organizadas pelas direções municipais do PT e até mesmo por outros partidos que compõem a frente, de maneira totalmente espontânea. Estamos procurando acompanhar esse movimento, construir um calendário e organizar as rotas de apoio.

Hoje, por exemplo, a deputada Bia está na região Sudoeste, o deputado Mauro Rubem está na Grande Goiânia e o deputado Antônio Gomide está em uma rota no Norte e Nordeste goiano.

Estamos acompanhando todas essas rotas pelo interior para que os apoiadores não fiquem abandonados. Além disso, há outro campo em ação. Vamos realizar uma reunião na quinta-feira com pessoas que não são do PT nem da Frente Brasil Esperança e que não apoiaram Lula no primeiro turno.

Estamos procurando parlamentares que possam manifestar apoio e vamos nos reunir com esse grupo na próxima quinta-feira.

Altair Tavares: Essas atividades precisam ser organizadas em um período muito curto. Pelo que o senhor afirma, esse movimento espontâneo está ultrapassando aquilo que seria estruturado pela coordenação. Como lidar com isso?

Luiz Cesar: Estamos assumindo agora o compromisso de manter o fornecimento de material. Há uma disputa muito grande por bandeiras, adesivos e bottons. Chegou uma remessa de material na última segunda-feira, e queremos receber outra no meio da semana. Estamos produzindo material com recursos próprios, promovendo uma campanha de arrecadação e tentando ampliar essa produção. Essa parte está bem encaminhada.

Paralelamente, nossos parlamentares têm procurado promover um debate intenso nos meios de comunicação, em conjunto com a direção. Na verdade, alguns erros cometidos pela campanha adversária acabaram pautando o debate a nosso favor. Recentemente, houve a censura em torno do canal Exércitos do Lula e a questão da intolerância religiosa, sobretudo em relação à presença de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Isso é um fato.

O recente anúncio de uma proposta de mudança na Constituição também gerou muitas dúvidas, sobretudo entre integrantes de entidades civis organizadas e no meio jurídico. Temos aproveitado essas brechas para promover o debate em defesa da soberania do Brasil e dos avanços que o Estado brasileiro tem alcançado nos últimos anos. Queremos garantir condições para o setor produtivo, estrutura, desenvolvimento econômico e proteção aos direitos dos trabalhadores.

Altair Tavares: Como tem sido a participação da direção estadual do PT, considerando que há indícios de certo dessabor com a escolha do seu nome para coordenar a campanha?

Luiz Cesar: Não podemos ficar lamentando isso agora. Saí candidato ao governo em uma situação muito adversa. Poderia ter saído em janeiro, é verdade. Fui escolhido em uma quinta-feira, quando a convenção seria realizada no sábado. Mesmo assim, fizemos uma campanha reunindo o máximo possível de apoios. Conseguimos sete partidos e chegamos ao terceiro lugar. Nossa campanha cresceu muito nos últimos dias.

Ainda assim, não conseguimos alcançar nem metade dos votos que Lula recebeu. Ou seja, se tivéssemos feito, desde o início, uma campanha alinhada à do presidente Lula, promovido encontros regionais e percorrido todo o Estado, certamente poderíamos ter alcançado um resultado melhor e, quem sabe, chegado ao segundo turno. Mas isso já passou.

Acho que fizemos uma campanha vitoriosa. Conseguimos chegar ao terceiro lugar, com 360 mil votos. Agora, nosso trabalho é unir o partido, todos os parlamentares, as forças políticas e as diferentes tendências para viabilizar nossa meta: eleger o presidente Lula e alcançar 1,5 milhão de votos em Goiás. Essa é a nossa meta.

A manifestação realizada ontem na Praça Universitária inicialmente seria um ato dos estudantes. Posteriormente, percebemos que setores amplos da sociedade também estavam presentes. Há estimativas divergentes, de 25 mil, 30 mil e até 35 mil pessoas. Foi uma marcha muito grande. Para se ter uma ideia, quando estávamos chegando à Praça Cívica, a manifestação ainda saía da Praça Universitária. Quando todos se reuniram na Praça Cívica, o espaço ficou completamente tomado.

Foi um grande ato, que demonstrou a força de uma parcela da população preocupada com o sistema político brasileiro e com a possibilidade de voltarmos a um período de ostracismo, de ditadura e de autoritarismo, como ocorreu na Europa nas décadas de 1930 e 1940. Acho que estamos conseguindo ampliar a campanha. Agora, precisamos unir todos para eleger o presidente Lula.

Altair Tavares: O senhor citou há pouco uma agenda de atividades com parlamentares pelo interior. Outras manifestações serão realizadas em Goiânia até o dia 25?

Luiz Cesar: Sim. Na quarta-feira, teremos a visita do ministro Guilherme Boulos, com previsão de um ato às 18h, novamente na Praça Universitária. Já há uma coordenação trabalhando na organização. Também existem carreatas programadas em Itumbiara e Catalão, além de uma caminhada em Iporá e atividades na região metropolitana de Brasília.

Vou consultar, daqui a pouco, o calendário atualizado dos eventos, mas teremos atividades em Goiânia e no interior. Pessoalmente, pretendo percorrer os municípios do interior e garantir a presença da coordenação da campanha nessas localidades.

Altair Tavares: A aliança entre Caiado e Flávio Bolsonaro não intimida a esquerda, considerando que esses dois setores tiveram uma votação expressiva?

Luiz Cesar: Na verdade, trata-se de uma disputa de projetos. Independentemente do voto dado a Daniel Vilela, parte da população tem migrado muito para a campanha do presidente Lula. Muito mesmo. Os próprios eleitores de Caiado, pois estão percebendo claramente o temor de um retrocesso na democracia, na soberania do Brasil e no desenvolvimento econômico.

Estamos muito seguros disso. Estamos crescendo de duas formas: entre os indecisos, entre aqueles que ainda não decidiram em quem votar e, sobretudo, entre os eleitores de Ronaldo Caiado, de Cury, de Zema e de outros grupos. Estamos avançando nesses segmentos.

Os eleitores de Bolsonaro, por sua vez, permanecem praticamente intactos. Queremos crescer trabalhando para conquistar votos, mas sabemos que nosso potencial está também em levar novos eleitores a votar no presidente Lula. Esses novos votos precisam vir de algum lugar. Matematicamente, precisam vir das abstenções e daqueles que votaram em outros candidatos.

Altair Tavares: Quais orientações o senhor tem recebido da direção nacional, especialmente diante de uma disputa ainda muito apertada? Existe confiança na possibilidade de virada?

Luiz Cesar: As pesquisas da direção nacional já apontam uma pequena virada, embora ainda seja um movimento inicial. Precisamos crescer sobretudo no Sudeste e no Centro-Oeste, especialmente em Minas Gerais. Estamos avançando em Minas. Nesta semana, haverá uma força-tarefa em São Paulo. Uma ofensiva no Rio de Janeiro será preparada para a próxima semana, mas, neste momento, a equipe de campanha está concentrada nos estados do Sudeste.

Na semana seguinte, vamos dedicar esforços ao Rio de Janeiro, ao Centro-Oeste e ao Sul do país. No Nordeste, os próprios governadores estão comandando o trabalho para conquistar votos. Essa mobilização poderá ampliar em 15% a 20% a votação de Lula na região em comparação com o primeiro turno.


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