Prefeitura de Porto Alegre Ignorou Alerta de Falha no Sistema Contra Enchentes Há Seis Anos

Reprodução

A Prefeitura de Porto Alegre foi alertada em 2018 sobre o risco de falhas no sistema de bombeamento na região central da cidade, caso o nível do lago Guaíba ultrapassasse a cota de inundação de 3 metros. A informação consta em um parecer técnico elaborado por funcionários municipais em setembro daquele ano.

Atualmente, o centro histórico de Porto Alegre, assim como outras áreas do Rio Grande do Sul, enfrenta inundações devido às fortes chuvas das últimas duas semanas. Especialistas afirmam que o sistema de prevenção de enchentes não funcionou corretamente, exacerbando a situação.

Parecer Técnico Ignorado

A reportagem teve acesso ao documento assinado por dois engenheiros municipais, que destacava a necessidade de revisar o projeto das casas de bombas 17 e 18. Segundo o parecer, as bombas eram equipadas com tampas de ferro comum, insuficientes para conter a pressão da água em casos de cheia. “A cota do piso é 3,30m, logo em situações onde o nível do Guaíba supere esta cota é provável que ocorra extravasamento para a área interna da estação”, afirmava o documento.

Em novembro do ano passado, um novo parecer foi enviado após transbordamento do lago Guaíba, reiterando as dificuldades operacionais das bombas quando o nível do lago superou 3,4 metros.

Resposta da Atual Administração

Em nota, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE), da gestão do prefeito Sebastião Melo, informou que a instalação de tampas herméticas nas casas de bombas está em “fase de viabilidade técnica para a elaboração do projeto”.

Durante uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, Melo acusou “pessoas de extrema esquerda” de criar uma “narrativa mentirosa” sobre as enchentes. O documento com o alerta sobre as falhas no sistema foi divulgado pelo deputado estadual Matheus Gomes (PSOL) em suas redes sociais.

Impacto e Reações

O deputado Matheus Gomes afirmou que o impacto poderia ter sido menor se as falhas no sistema de bombeamento tivessem sido corrigidas. Ele anunciou que pedirá investigações ao Ministério Público do Rio Grande do Sul e ao Tribunal de Contas.

Engenheiros hídricos e ambientais apontam a paralisação do sistema de bombeamento como um fator agravante para a inundação do centro histórico e dos bairros Menino Deus, Cidade Baixa e Sarandi. Das 23 estações de bombeamento, apenas 3 estavam funcionando durante os primeiros dias após as fortes chuvas. A máxima do nível do Guaíba registrada foi de 5,35 metros em 4 de maio, enquanto a altura dos diques é de 6 metros.

Estrutura Antiga e Falta de Investimentos

O sistema anticheias de Porto Alegre, construído na década de 1960, inclui um muro de 2,6 km de extensão com 14 comportas de proteção. A estrutura foi projetada para proteger a cidade, que tem cerca de 35% do território urbano três metros acima do nível do mar, de inundações causadas pelos 27 córregos, o rio Gravataí, o lago Guaíba e a lagoa dos Patos.

Nos últimos sete anos, duas gestões municipais não executaram a totalidade de verba destinada à manutenção do sistema. O prefeito Melo reconheceu que os investimentos não foram suficientes para evitar a atual crise.

Porto Alegre enfrenta agora o desafio de atualizar seu sistema de prevenção de enchentes para evitar futuras catástrofes, enquanto a população lida com as consequências das inundações.

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram