Cláudio Halley, superintendente de Negócios Digitais, Marketing e Experiência do Cooperado do Sicoob, durante entrevista ao Diário de Goiás sobre a distribuição de resultados e o crescimento do cooperativismo financeiro no Brasil. Foto: Diário de Goiás.
O Sistema Sicoob gerou R$ 49 bilhões em valor agregado à sociedade brasileira em 2025, considerando os benefícios financeiros proporcionados aos cooperados e a distribuição dos resultados das cooperativas. O dado foi apresentado por Cláudio Halley, superintendente de Negócios Digitais, Marketing e Experiência do Cooperado do Sicoob, em entrevista ao Diário de Goiás, durante a terceira edição do Panorama Sicoob, promovido pela Nova Central.
Segundo Halley, o montante representa os ganhos obtidos pelos cooperados em diferentes operações financeiras, como investimentos com rentabilidade média superior à encontrada no mercado e empréstimos com taxas médias inferiores às cobradas por outras instituições. A conta também inclui os resultados das cooperativas, que, conforme explicou, devem ser distribuídos aos próprios cooperados.
“Somando o quanto os cooperados ganharam a mais ao investirem nas suas cooperativas, pagaram a menos ao tomar crédito nas suas cooperativas, e o resultado é que elas chegaram, em 2025, o sistema Sicoob gerou, devolveu para o Brasil R$ 49 bilhões”, afirmou em entrevista ao editor chefe do Diário de Goiás, Altair Tavares durante o ‘Panorama’, evento promovido pelo Sicoob Nova Central, realizado nesta sexta-feira (9) e sábado (10), no Centro de Convenções de Goiânia.
A distribuição dos resultados é um dos principais aspectos que diferenciam o modelo cooperativista das instituições financeiras tradicionais, na avaliação do executivo. Enquanto os bancos convencionais destinam seus lucros aos acionistas, as cooperativas financeiras compartilham seus resultados com os cooperados, conforme as regras do sistema e de cada instituição.
“Isso significa que o sistema tradicional concentra riqueza e o sistema cooperativo distribui prosperidade”, declarou Halley.
Cooperativismo busca ampliar participação no mercado
Para o superintendente, o crescimento do cooperativismo financeiro no Brasil está relacionado à maior divulgação do modelo e à tentativa de mostrar que os serviços não são restritos a determinados grupos sociais ou econômicos.
Embora as cooperativas financeiras existam no país há mais de um século, Halley avalia que o brasileiro tem conhecido melhor as possibilidades oferecidas pelo sistema nos últimos anos.
“Algumas pessoas, por exemplo, podem achar: ‘cooperativa é para fazendeiro’, ‘cooperativa é para empresário’, ‘cooperativa é para rico’, ‘cooperativa não é para mim’”, disse.
Segundo ele, o trabalho de comunicação busca demonstrar que uma cooperativa financeira oferece soluções transacionais e funcionais comparáveis às de outras instituições do mercado, com o diferencial de distribuir parte da riqueza gerada entre seus cooperados.
O executivo também afirmou que o interesse pelo sistema tem aumentado. Desde agosto, de acordo com Halley, o Sicoob intensificou iniciativas voltadas à aceleração dos negócios digitais, começando pela entrada de novos cooperados. A instituição tem registrado crescimento na procura por acesso aos serviços cooperativos.
Sistema reúne 10,5 milhões de cooperados
Atualmente, o Sicoob atende aproximadamente 10,5 milhões de cooperados por meio de mais de 300 cooperativas em todo o Brasil. Desse total, cerca de 8 milhões são pessoas físicas e 2,5 milhões são pessoas jurídicas, conforme os números apresentados por Halley.
O avanço da base de cooperados ocorre em um cenário no qual as instituições financeiras ampliam os investimentos em tecnologia e atendimento digital. Para o superintendente, a estratégia do Sicoob é combinar a modernização dos serviços com a presença física nas comunidades.
Halley afirmou que, desde setembro de 2022, o sistema detém a maior rede física de distribuição de serviços financeiros do país. Além da estrutura presencial, o superaplicativo do Sicoob reúne mais de 300 serviços, segundo o executivo. “A nossa presença física, estar ali, é um sinônimo de compromisso, é uma mensagem de que nós estamos juntos”, afirmou.
Ele acrescentou que a proposta é oferecer conveniência digital sem abrir mão do contato direto com os cooperados, especialmente em cidades do interior, onde o relacionamento presencial continua sendo relevante para parte dos usuários. “Ele está presente na comunidade. Está ali, se você quiser conversar olho no olho, quando a pessoa precisa, nós somos humanos”, disse.
Panorama Sicoob discute inovação e experiência do cooperado
A terceira edição do Panorama Sicoob reúne representantes das cooperativas para compartilhar conhecimentos, apresentar ferramentas e discutir os rumos do sistema financeiro cooperativo.
Na avaliação de Halley, encontros desse tipo ajudam a disseminar inovações e tecnologias entre as cooperativas e a aprimorar os serviços oferecidos aos associados. “É fundamental para que possa garantir que as inovações do sistema, o conhecimento, possam chegar a quem, de fato, precisa desse conhecimento”, afirmou.
O superintendente destacou que o objetivo é ampliar o acesso às ferramentas disponíveis e melhorar a experiência de quem utiliza os serviços das cooperativas.
A proposta, segundo ele, é fazer com que a expansão digital acompanhe a proximidade com o cooperado e reforce a característica central do modelo: além de oferecer serviços financeiros, distribuir os resultados gerados pela atividade econômica entre os participantes do sistema.
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