Goiás tem muito mais a oferecer do que águas termais, cidades históricas e o tradicional turismo de fim de semana. Em diferentes regiões do estado, o Cerrado esconde cachoeiras que impressionam pela cor da água, pelo tamanho das quedas e pelas paisagens que aparecem no caminho.
Algumas ficam a poucas horas de Goiânia. Outras exigem uma viagem mais longa e um pouco mais de disposição para encarar estradas e trilhas. Em comum, todas entregam paisagens que justificam colocar o pé na estrada.
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Para montar esta seleção, o Curta Mais cruzou informações de órgãos oficiais de turismo, administrações municipais, unidades de conservação, páginas dos próprios atrativos e avaliações recentes de visitantes. A lista considera beleza cênica, características das quedas, qualidade das águas, cenário natural e relevância turística.
Ou seja, não existe uma ordem oficial de beleza. A proposta é reunir oito cachoeiras que realmente merecem entrar no roteiro de quem gosta de natureza em Goiás.
E tem de tudo. Tem piscina azul-turquesa, cânion, queda de quase 170 metros, trilhas em meio ao Cerrado e até destinos que funcionam bem para quem prefere um passeio com mais estrutura.
1. Cachoeira Santa Bárbara, em Cavalcante
Se existe uma cachoeira que costuma aparecer quando o assunto é beleza natural em Goiás, é a Santa Bárbara.
Localizada na Comunidade Kalunga do Engenho II, em Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros, a queda tem cerca de 28 metros e despenca sobre um grande poço de águas azul-turquesa. A combinação entre a cor da água, a vegetação do Cerrado e os paredões ao redor transformou o lugar em um dos cartões-postais da região.
O passeio, porém, exige planejamento. O acompanhamento de guia Kalunga é obrigatório. A comunidade fica a aproximadamente 27 quilômetros do centro de Cavalcante, sendo necessário enfrentar um trecho de estrada de terra até o Engenho II.
A distância de Goiânia até Cavalcante fica na casa dos 500 quilômetros. Por isso, o ideal é reservar pelo menos um fim de semana inteiro para conhecer a região.
Dica do Curta Mais: se a ideia for aproveitar melhor o passeio, não tente encaixar Santa Bárbara em uma viagem corrida. Cavalcante tem outros atrativos importantes e merece mais de um dia no roteiro.
Onde fica: Comunidade Kalunga Engenho II, Cavalcante, Chapada dos Veadeiros.
Distância de Goiânia: cerca de 500 km até Cavalcante.
Perfil: águas cristalinas, fotografia e contato com a cultura Kalunga.
Atenção: guia Kalunga é obrigatório.
2. Catarata dos Couros, em Alto Paraíso de Goiás
A Catarata dos Couros impressiona de um jeito diferente. Em vez de uma única queda, o visitante encontra um complexo formado por várias quedas, poços, corredeiras e paredões de pedra.
O atrativo fica em Alto Paraíso de Goiás e integra o Parque Estadual Águas do Paraíso. O complexo acompanha o Rio dos Couros e reúne quatro principais quedas. Na parte final, a sequência chega a aproximadamente 70 metros de desnível.
O cenário muda ao longo do percurso. Em alguns pontos, o rio corre entre grandes formações rochosas. Em outros, surgem piscinas naturais e áreas para contemplação.
O atrativo fica a cerca de 423 quilômetros de Goiânia, e Alto Paraíso funciona como uma das principais bases para quem visita a região.
Um detalhe importante é que o acesso ao Parque Estadual Águas do Paraíso possui regras próprias. O parque informa que a visita ao complexo deve ser feita em grupos de até seis pessoas acompanhados obrigatoriamente por condutor local.
Dica do Curta Mais: reserve um dia inteiro para os Couros. Tentar fazer o passeio com pressa tira justamente uma das melhores partes da experiência, que é caminhar acompanhando o rio e observar as diferentes quedas.
Onde fica: Alto Paraíso de Goiás, Chapada dos Veadeiros.
Distância de Goiânia: cerca de 423 km.
Perfil: trilha, grandes paredões, várias quedas e piscinas naturais.
Atenção: confira previamente as regras de acesso e a necessidade de condutor.
3. Cachoeira do Segredo, em Alto Paraíso de Goiás
O nome não é exagero. A Cachoeira do Segredo fica escondida em meio a um cânion e só aparece depois de uma caminhada pelo Cerrado.
Localizada na região da Vila de São Jorge, distrito de Alto Paraíso, a queda tem mais de 100 metros de altura, dependendo da referência utilizada, e despenca entre paredões cobertos de vegetação.
O caminho também faz parte do passeio. A partir da Vila de São Jorge, o acesso começa pela GO-239 e segue por estrada e trilha até o atrativo. Uma das referências turísticas da região aponta aproximadamente 53 quilômetros entre Alto Paraíso e a entrada da cachoeira.
O visual muda completamente quando a trilha chega ao cânion. É justamente esse contraste entre a caminhada e a grandiosidade da queda que faz o passeio se destacar.
Dica do Curta Mais: vá preparado para caminhar. O Segredo é mais indicado para quem realmente gosta de trilha e quer transformar o percurso em parte da experiência.
Onde fica: região da Vila de São Jorge, Alto Paraíso de Goiás.
Distância de Goiânia: cerca de 423 km até Alto Paraíso.
Perfil: trilha, cânion e grande queda d’água.
Ideal para: quem gosta de aventura e paisagens mais selvagens.
4. Cachoeira Almécegas I, em Alto Paraíso de Goiás
A Almécegas I é um dos clássicos da Chapada dos Veadeiros. Localizada na Fazenda São Bento, entre Alto Paraíso e a Vila de São Jorge, a cachoeira combina uma grande queda, paredões de pedra e um poço cercado pelo Cerrado.
O atrativo fica na GO-239, no quilômetro 8, no trecho entre Alto Paraíso e São Jorge.
A queda possui cerca de 50 metros e aparece entre os atrativos mais conhecidos da região. A Fazenda São Bento também oferece acesso à Almécegas II e à Cachoeira São Bento, permitindo montar um roteiro com diferentes pontos de banho no mesmo passeio.
É uma boa escolha para quem quer conhecer uma cachoeira emblemática da Chapada sem necessariamente encarar os percursos mais longos da região.
Dica do Curta Mais: combine Almécegas I e II no mesmo dia. Assim, você aproveita melhor o deslocamento e consegue conhecer dois cenários bastante diferentes.
Onde fica: Fazenda São Bento, Alto Paraíso de Goiás.
Distância de Goiânia: cerca de 424 km até Alto Paraíso.
Perfil: queda alta, poço e paisagem típica da Chapada.
Acesso: pela GO-239, sentido Vila de São Jorge.
5. Salto do Itiquira, em Formosa
Se a sua ideia é ver uma cachoeira realmente gigantesca, o destino é Formosa.
O Salto do Itiquira tem cerca de 168 metros de altura e está entre as maiores quedas d’água do Brasil. O atrativo fica dentro do Parque Municipal do Itiquira, na região de Formosa.
Além da imponência da queda, o passeio chama atenção pela facilidade de acesso. A Prefeitura de Formosa informa que o percurso principal até o salto tem aproximadamente 450 metros e é calçado, o que torna o atrativo mais acessível do que muitas cachoeiras de grande porte.
O município fica a cerca de 280 a 316 quilômetros de Goiânia, dependendo da referência utilizada para o trajeto.
A diferença entre o Itiquira e outras cachoeiras desta lista está justamente na escala. Não é preciso fazer uma longa trilha para enxergar uma queda monumental.
Dica do Curta Mais: para quem não quer enfrentar uma trilha pesada, o Itiquira é uma das melhores escolhas. O acesso principal é curto e estruturado.
Onde fica: Parque Municipal do Itiquira, Formosa.
Distância de Goiânia: aproximadamente 300 km.
Perfil: grande queda, acesso estruturado e contemplação.
Acesso: percurso principal de cerca de 450 metros.
6. Cachoeira Nossa Senhora do Rosário, em Pirenópolis
A cerca de 130 a 160 quilômetros de Goiânia, dependendo do ponto de partida e da rota, a Cachoeira Nossa Senhora do Rosário é uma das opções mais interessantes para quem quer uma viagem menor sem abrir mão de uma paisagem grandiosa.
A principal queda tem 42 metros e fica cercada por Cerrado rupestre, campos, mata de galeria, piscinas naturais e uma gruta.
O acesso combina trecho asfaltado e estrada de terra. A administração do atrativo informa que, a partir de Pirenópolis, são cerca de 25 quilômetros de asfalto e mais 10 quilômetros por estrada de terra em boas condições.
O local também oferece estrutura de apoio para passar várias horas. Por isso, funciona bem para quem quer transformar a cachoeira em um passeio de dia inteiro.
Dica do Curta Mais: leve tempo para aproveitar o entorno. Além da queda principal, existem piscinas naturais, trilhas e áreas de descanso.
Onde fica: zona rural de Pirenópolis.
Distância de Goiânia: aproximadamente 130 km.
Perfil: viagem curta, banho, trilhas e estrutura de apoio.
Acesso: GO-338 e trecho final de estrada de terra.
7. Cachoeira do Abade, em Pirenópolis
Também em Pirenópolis, a Cachoeira do Abade combina uma queda bonita com uma estrutura que facilita a visita.
A principal queda tem cerca de 22 metros e forma um poço de águas claras. A Reserva do Abade também oferece outras cachoeiras e diferentes percursos de trilha.
O atrativo fica a aproximadamente 17 quilômetros do centro histórico de Pirenópolis, na região dos Pireneus. O acesso ocorre pela Rodovia Parque dos Pireneus e inclui um trecho final até a sede da reserva.
Um dos diferenciais é a possibilidade de escolher entre uma trilha menor, de cerca de 500 metros, e um percurso mais longo.
Por isso, a cachoeira consegue atender perfis diferentes. Quem quer um passeio mais tranquilo pode escolher o caminho curto. Já quem gosta de caminhada pode optar pelo circuito maior.
Dica do Curta Mais: compre o ingresso antecipadamente. A reserva controla o número de visitantes por dia para preservar a área.
Onde fica: Reserva Cachoeira do Abade, Pirenópolis.
Distância de Goiânia: cerca de 130 km até Pirenópolis.
Perfil: natureza, banho e trilhas com diferentes níveis de esforço.
Atenção: o atrativo trabalha com limite diário de visitantes.
8. Salto de Corumbá, em Corumbá de Goiás
Para fechar a seleção, o Salto de Corumbá aparece como uma opção que combina beleza natural e estrutura turística.
O parque fica em Corumbá de Goiás, próximo de Pirenópolis, às margens da BR-414. A principal Cachoeira do Salto possui aproximadamente 50 metros de queda e faz parte de um complexo com outras cachoeiras, trilhas e áreas de lazer.
O destino fica a aproximadamente 120 quilômetros de Goiânia e tem acesso asfaltado até a região do parque.
Além da cachoeira principal, o visitante encontra outras atividades. O parque oferece trilhas, parque aquático e opções de aventura. As trilhas estão incluídas no ingresso Day Use, segundo o próprio empreendimento.
Dica do Curta Mais: é uma boa escolha para quem quer levar a família ou passar o dia sem depender apenas de uma cachoeira. A estrutura permite combinar banho, trilha e descanso no mesmo passeio.
Onde fica: Corumbá de Goiás, na BR-414.
Distância de Goiânia: cerca de 120 km.
Perfil: família, banho, trilhas e aventura.
Diferencial: estrutura turística com várias atividades.
Qual é a melhor época para conhecer as cachoeiras de Goiás?
A resposta depende do tipo de experiência que você procura.
Entre maio e setembro, o período costuma ser mais seco em Goiás. As trilhas tendem a ficar mais firmes e algumas águas ficam mais transparentes, já que há menor quantidade de sedimentos sendo carregada pelos rios.
Por outro lado, quem visita o estado durante o período chuvoso pode encontrar cachoeiras com volume de água muito maior. O problema é que chuva forte também aumenta o risco de cabeça d’água, principalmente em rios e cânions.
Por isso, uma regra vale para qualquer época: se começar a chover, saia do leito do rio e siga as orientações dos responsáveis pelo atrativo.
Não basta olhar o céu no local. Uma chuva forte pode acontecer quilômetros acima da cachoeira e aumentar repentinamente o volume do rio.
O que levar para um dia de cachoeira
Uma boa viagem para a natureza começa antes de sair de casa. Para esses destinos, alguns itens fazem diferença:
- Água suficiente para a trilha.
- Protetor solar.
- Repelente.
- Tênis ou calçado próprio para caminhada.
- Roupa de banho e uma muda seca.
- Toalha.
- Saco para guardar lixo e roupas molhadas.
- Dinheiro ou cartão, já que alguns locais podem ter sinal limitado.
- Documento pessoal.
- Capa impermeável para celular e equipamentos.
- Lanche, quando o atrativo permitir.
Além disso, não conte com sinal de celular durante todo o percurso. Em áreas mais isoladas, a conexão pode desaparecer completamente.
E, principalmente, respeite as placas, os limites de acesso e as orientações de guias e condutores. Em ambientes naturais, uma trilha bonita também exige responsabilidade.
Goiás tem muito mais cachoeiras para descobrir
As oito atrações desta lista representam apenas uma pequena parte da riqueza natural do estado. Alto Paraíso, por exemplo, possui mais de 120 cachoeiras catalogadas, enquanto Cavalcante concentra dezenas de atrativos dentro e no entorno da Chapada dos Veadeiros.
Pirenópolis também reúne dezenas de quedas na região dos Pireneus. Formosa, por sua vez, tem no Itiquira um dos maiores cartões-postais naturais do estado.
Por isso, a melhor maneira de conhecer essas paisagens é não tentar fazer tudo de uma vez. Escolha uma região, reserve alguns dias e aproveite o caminho.
Afinal, em Goiás, muitas vezes a cachoeira é apenas o destino final. A estrada, o Cerrado, os paredões, os rios e as pequenas paradas pelo caminho também fazem parte da viagem.









