Um em cada 17 goianos pode ser neurodivergente

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Apesar de não existirem estatísticas oficiais para todas as condições enquadradas como neurodivergências em Goiás, estima-se que mais de 400 mil pessoas no estado tenham Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou dislexia. Isso significa que cerca de 6% da população goiana pode estar incluída em pelo menos uma dessas três condições. Ou seja, é provável que um em cada 17 goianos seja neurodivergente.

O levantamento é baseado em estimativas epidemiológicas utilizadas em documentos técnicos e na literatura científica sobre o tema, revisadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e aplicadas à população brasileira, considerando o percentual correspondente à população goiana nesse universo (3,5%). A magnitude desses números, no entanto, ainda precisa ser comprovada oficialmente. Atualmente, apenas o TEA conta com dados estatísticos oficiais nesse nível, uma vez que a condição constou no questionário do último Censo, realizado em 2022.

A principal ferramenta para se obter maior precisão sobre o número de pessoas neurodivergentes é o diagnóstico. O acesso a esse recurso, entretanto, esbarra em uma barreira econômica. Os exames e procedimentos destinados ao diagnóstico de condições específicas do neurodesenvolvimento em Goiás custam, em média, entre R$ 1.800 e R$ 4.500 por laudo. Além do impacto sobre a produção de dados estatísticos, a ausência de diagnóstico gera uma série de consequências negativas para pessoas com suspeita dessas condições: dificuldades de acesso a adaptações educacionais, a tratamentos especializados e a políticas públicas estão entre as mais visíveis.

Por essa razão, o empresário canedense e candidato a deputado estadual Samuel Carvalho (Republicanos), diagnosticado com TDAH, defende a implantação de Centros Estaduais de Diagnóstico dos Transtornos do Desenvolvimento. Para o postulante a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), essas instituições deveriam ser mantidas pelo poder público e destinadas a oferecer, gratuitamente, uma série de serviços voltados à confirmação diagnóstica de pessoas neurodivergentes.

“Esses centros podem oferecer serviços em todo o ciclo do diagnóstico: começando pela triagem, passando pela investigação realizada por uma equipe multidisciplinar de saúde, pelo diagnóstico em si e chegando à emissão do laudo, com o encaminhamento adequado a centros de saúde especializados, cuja implantação também defendemos na rede pública de saúde”, explica o candidato.

Para Samuel, outro aspecto relevante da criação desses centros públicos de diagnóstico de neurodivergências é a possibilidade de Goiás ter uma noção mais precisa da dimensão dessa população. “É impossível desenvolver políticas públicas especificamente voltadas para essa população sem conhecer o tamanho desse contingente de pessoas. A dotação orçamentária está diretamente ligada a essa certeza. Se as estimativas existentes estiverem corretas, temos um número enorme de pessoas que estão sendo prejudicadas por uma omissão do poder público que precisa ser corrigida imediatamente”, salienta.

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