30 anos de urna eletrônica: veja o que mudou de 1996 até as Eleições 2026

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Milhões de brasileiros vão às urnas neste domingo (4) para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026. O pleito deste ano também marca um momento histórico para a Justiça Eleitoral: a urna eletrônica completa 30 anos de existência.

O equipamento foi utilizado pela primeira vez nas Eleições Municipais de 1996, quando alcançou cerca de 32% do eleitorado brasileiro. A implantação ocorreu de forma gradual e, nas eleições municipais de 2000, a votação eletrônica já havia sido adotada em todos os municípios do país.

Desde então, a urna passou por sucessivas mudanças de hardware e software, além da incorporação de recursos voltados à segurança, à acessibilidade e à identificação do eleitor. A evolução acompanhou as transformações tecnológicas e também ampliou os mecanismos de fiscalização do processo eleitoral.

Como surgiu a urna eletrônica

A informatização do processo eleitoral começou antes da primeira urna eletrônica. Em 1986, a Justiça Eleitoral realizou um recadastramento nacional dos eleitores, iniciativa que contribuiu para a criação de uma base de dados informatizada.

Em 1995, a Lei nº 9.100 autorizou a utilização de sistemas eletrônicos de votação e apuração. A partir dessa autorização, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desenvolveu o projeto que resultaria na urna eletrônica utilizada no ano seguinte.

A primeira experiência ocorreu nas eleições municipais de 1996. Naquele pleito, o equipamento foi utilizado nas 26 capitais, com exceção de Brasília, além de municípios com mais de 200 mil eleitores. Ao todo, aproximadamente 32,5 milhões de eleitores foram alcançados pela votação eletrônica, o equivalente a 32,07% do eleitorado da época.

A adoção foi ampliada nas eleições seguintes. Em 1998, a votação eletrônica alcançou 57,62% do eleitorado. Dois anos depois, em 2000, chegou a 100% dos eleitores, consolidando a informatização da votação no país.

Equipamento mudou ao longo dos anos

A urna utilizada atualmente é diferente dos primeiros modelos empregados em 1996. Ao longo de três décadas, a Justiça Eleitoral promoveu diversas atualizações no equipamento.

Entre as mudanças estão melhorias no processamento, armazenamento, segurança, acessibilidade e identificação dos eleitores.

Em 1998, por exemplo, as urnas passaram a apresentar a fotografia dos candidatos. Já a partir dos anos seguintes, a Justiça Eleitoral começou a ampliar o uso da biometria como mecanismo de identificação.

Também houve mudanças relacionadas à acessibilidade. Os equipamentos passaram a contar com recursos para facilitar o voto de pessoas com deficiência, incluindo teclado com identificação em Braille e saída de áudio para eleitores com deficiência visual.

Em 2022, uma nova geração de urnas começou a ser utilizada. Os modelos incorporaram melhorias de processamento, tela sensível ao toque e outros recursos tecnológicos.

Atualmente, o projeto da urna é definido pela própria Justiça Eleitoral. Os equipamentos são produzidos de acordo com especificações técnicas estabelecidas pelo TSE e passam por testes e fiscalização durante o processo de fabricação.

Como funciona a votação

Durante a votação, o eleitor registra sua escolha diretamente na urna eletrônica. O equipamento armazena os votos e, ao final do período de votação, gera o Boletim de Urna (BU).

O documento registra a quantidade de votos atribuídos a cada candidato naquela seção eleitoral. Uma cópia é impressa e fica disponível no local de votação, permitindo que os resultados daquela seção sejam conhecidos e posteriormente comparados com os dados recebidos pelos sistemas da Justiça Eleitoral.

Os arquivos produzidos pela urna são então encaminhados para os sistemas responsáveis pela totalização dos votos.

Esse modelo modificou significativamente o tempo necessário para a apuração. Antes da informatização, os votos em papel precisavam ser contados manualmente, etapa que podia levar dias. Com a urna eletrônica, os resultados das seções podem ser transmitidos e totalizados de maneira automatizada após o encerramento da votação.

Segurança e auditoria

A segurança do sistema eletrônico de votação não depende de um único mecanismo. Segundo o TSE, existem aproximadamente 30 camadas de proteção, envolvendo recursos como criptografia, assinatura digital, rastreabilidade de arquivos, verificação de autenticidade e barreiras físicas e digitais.

O sistema também passa por diferentes procedimentos de fiscalização antes, durante e depois das eleições.

Entre eles estão os Testes Públicos de Segurança, a Cerimônia de Lacração dos Sistemas Eleitorais e o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas. As etapas podem ser acompanhadas por partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Polícia Federal, universidades e outras entidades fiscalizadoras.

A legislação eleitoral também prevê diferentes formas de auditoria. É possível, por exemplo, verificar o resumo digital (hash) dos arquivos, conferir assinaturas digitais, comparar o Boletim de Urna impresso com o recebido pelo sistema de totalização e auditar o código-fonte lacrado e armazenado pelo TSE.

O Teste de Integridade também permite verificar se a urna contabiliza corretamente votos inseridos em uma votação simulada. Em 2026, a regulamentação prevê modalidades com participação de eleitores voluntários por meio da biometria.

30 anos e novas tecnologias

Ao completar três décadas, a urna eletrônica chega às Eleições 2026 depois de sucessivos ciclos de atualização. O equipamento passou de uma tecnologia utilizada por uma parcela do eleitorado em 1996 para um sistema presente em todo o país desde 2000.

Nesse período, foram incorporados recursos de segurança, auditoria, acessibilidade e identificação, enquanto a apuração deixou de depender da contagem manual das cédulas.

Segundo o TSE, desde a adoção da urna eletrônica não houve fraude comprovada capaz de alterar o resultado de uma eleição ou quebrar o sigilo do voto.

Neste domingo (4), quando os brasileiros voltarem às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais, a urna eletrônica completará mais um capítulo de uma história iniciada há 30 anos.


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