Aos 25 anos, goiana se torna a primeira quilombola diplomata do Brasil – Curta Mais

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Uma jovem goiana de 25 anos acaba de conquistar um espaço histórico na diplomacia brasileira. Helen Jaine Gomes Borgens tomou posse como diplomata do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), em Brasília, na quarta-feira (4 de novembro). Integrante da comunidade quilombola do Retiro, em Simolândia, no nordeste de Goiás, ela foi a primeira candidata aprovada em uma vaga especificamente reservada a quilombolas no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata.

Formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Helen representa um marco para a presença de comunidades tradicionais em uma carreira historicamente marcada pela baixa diversidade. Sua conquista também carrega uma trajetória de dedicação, desafios e persistência.

Foto: Arquivo Pessoal

Nascida em Goiânia, ela cresceu em Simolândia e estudou no Colégio Estadual Elvira Leão Barreto. Depois de concluir a graduação, em 2025, voltou ao município para se dedicar à preparação para o concurso. A aprovação veio em maio de 2026, em uma seleção que ofereceu 60 vagas para novos diplomatas.

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Sonho de ser diplomata começou durante preparação para o Enem

O interesse de Helen pela diplomacia surgiu em 2017, quando ainda se preparava para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Na época, um professor de História apresentou a carreira durante um cursinho preparatório. A possibilidade despertou sua curiosidade e passou a fazer parte de seus planos profissionais.

Durante a graduação na UFG, entretanto, ela chegou a considerar abandonar o curso. O interesse pela profissão ganhou novo impulso depois de uma disciplina de Política Externa Brasileira, que a fez retomar o objetivo de ingressar no Itamaraty.

Foto: Arquivo Pessoal

A preparação exigiu organização e autonomia. De volta a Simolândia, Helen enfrentou dificuldades para encontrar professores especializados e cursos voltados ao concurso diplomático. Em entrevista ao Jornal UFG, ela contou que precisou estudar inglês por conta própria, além de construir uma rotina de preparação sem o mesmo acesso a recursos disponíveis nos grandes centros.

O esforço foi recompensado com a aprovação em uma das seleções mais exigentes do serviço público brasileiro.

Vaga inédita amplia presença quilombola na diplomacia

A conquista de Helen ocorreu no primeiro concurso para diplomatas realizado sob a vigência da Lei nº 15.142/2025, que ampliou a política de reserva de vagas nos concursos públicos federais.

Das 60 oportunidades oferecidas na seleção de 2026, duas foram destinadas a candidatos indígenas e uma a candidatos quilombolas. A vaga conquistada pela goiana representa um marco na ampliação do acesso de comunidades tradicionais à carreira diplomática.

Em entrevista à UFG antes da posse, Helen falou sobre o significado de ocupar esse espaço. Para ela, representar uma categoria historicamente pouco presente na diplomacia é motivo de orgulho.

A jovem também revelou que pretende alcançar futuramente o posto de embaixadora. Mais do que conquistar um cargo, deseja representar brasileiros que ainda têm pouca presença nos espaços de decisão e nas relações internacionais do país.

Foto: Arquivo Pessoal

Nova turma do Itamaraty reúne 60 diplomatas

Helen não é a única representante de comunidades tradicionais a ingressar na nova turma do Instituto Rio Branco. Também tomaram posse Marcelo Kariri Menezes, do povo Kariri, e Idjahure Achkar de Mendonça Pinto, do povo Terena, aprovados pelas vagas destinadas a candidatos indígenas.

Ao todo, a turma de 2026 a 2028 reúne 60 novos integrantes. Desse total, 27 pertencem a grupos historicamente sub-representados na diplomacia brasileira. As mulheres representam 45% dos ingressantes, outro destaque da composição da nova turma.

Antes de assumir suas funções na representação do Brasil em outros países, os novos diplomatas passarão pelo curso de formação do Instituto Rio Branco, em Brasília.

A remuneração inicial prevista para a carreira é de R$ 22.558. A partir de agora, Helen começa uma nova etapa profissional, levando consigo a história de sua comunidade e a conquista de um espaço que, até então, não havia sido ocupado por uma candidata quilombola aprovada por essa modalidade de reserva de vagas.

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