Apenas 35 mil votos foram registrados após às 17h e não alteraram o resultado das urnas

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Número de votos computados após às 17h não fez diferença no resultado final a favor de Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O levantamento dos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou que apenas 35.521 votos foram computados após às 17h em todo o Brasil no segundo turno das Eleições 2026. O volume de votos registrados durante a prorrogação do horário do pleito representa uma fração mínima diante da vantagem de mais de 4,4 milhões de votos garantida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em relação ao candidato Flávio Bolsonaro (PL), confirmando que a prorrogação não alterou o resultado final da apuração.

Lula conquistou a reeleição ao somar 64.256.232 votos, 51,79% dos votos válidos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos (48,21%). Com a margem consolidada de 4,4 milhões de votos, a disputa de 2026 registrou uma diferença superior às observadas nas eleições presidenciais de 2022 e 2014.

Polêmica da extensão do horário e decisão do STF

A prorrogação do horário de votação em todo o país até as 19h foi determinada por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida atendeu a petições apresentadas por ambas as coligações partidárias diante de transtornos logísticos e climáticos registrados ao longo do dia.

A campanha de Lula acionou a Justiça apontando escassez de frota de ônibus, longas esperas e cobranças indevidas de passagens em municípios como Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, além da capital paulista e de outros estados. Já a equipe de Flávio Bolsonaro solicitou a extensão do prazo para seções eleitorais em municípios de cinco estados (Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina), citando temporais, alagamentos e quedas de energia.

Como a deliberação ocorreu logo após as 17h, o STF esclareceu que a medida se aplicaria exclusivamente às seções em que os trabalhos ainda estavam em andamento, visto que a programação técnica das urnas eletrônicas impede a reabertura de equipamentos cujas votações já haviam sido encerradas.

O que revelam os Logs e arquivos internos das urnas eletrônicas

A contabilização das confirmações após às 17h foi apurada a partir da auditoria de 497.897 seções eleitorais, analisando os chamados logs de urna. Os logs são arquivos que funcionam como um “diário de bordo” do equipamento, registrando em detalhes o horário em que a máquina foi ligada, os momentos das confirmações de voto e o horário exato do encerramento da seção. Por questões de sigilo constitucional, os logs não registram o conteúdo nem a indicação do candidato escolhido pelo eleitor.

Dos 35.521 votos computados após o horário normal, 30.866 votos ocorreram em seções eleitorais cujos dados foram devidamente transmitidos e totalizados no sistema oficial do TSE. Outros 4.655 votos pertenciam a seções que ainda permaneciam pendentes de validação no momento do balanço.

Posicionamento do TSE e contestação da oposição

Para assegurar a isonomia do processo eleitoral, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, explicou que o tribunal promoveu o bloqueio temporário do recebimento dos Boletins de Urna (BUs) durante o período de prorrogação, liberando o processamento e a soma dos dados acumulados somente após as 19h. O magistrado reafirmou sua total confiança no sistema eletrônico de votação e destacou que a extensão do prazo ocorreu de forma exitosa e transparente.

Por outro lado, o senador Flávio Bolsonaro contestou a apuração em pronunciamento público, alegando falta de isonomia no pleito e anunciando que sua equipe jurídica acionará a Justiça para pedir a anulação das eleições.


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