Três artistas ligados a Goiás participam de uma exposição de arte latino-americana na Cidade do México, no México. A mostra En la mirada del otro (No olhar do outro) reúne os brasileiros Gerson Fogaça e Sophia Pinheiro e o mexicano Héctor Vargas-Salazar em um diálogo sobre identidade, memória, cidade e as diferentes maneiras de enxergar o outro.
Com curadoria de Guillermo Clemente Ruiz, a exposição será aberta nesta quinta-feira (29 de outubro), às 17h, no Centro Cultural del México Contemporáneo, no Centro Histórico da capital mexicana. As obras poderão ser visitadas até 15 de janeiro de 2027.
A proposta é aproximar perspectivas artísticas distintas sem tratar a arte latino-americana como uma identidade única. Para o curador, o encontro entre os três artistas leva à reflexão sobre como as experiências pessoais e as referências culturais influenciam a interpretação daquilo que é diferente.
Arte, memória e alteridade
A exposição também aborda a alteridade, conceito relacionado à capacidade de reconhecer e compreender o outro. No catálogo da mostra, a pesquisadora e crítica de arte Dayalis González Perdomo defende que essa compreensão exige mais do que identificar diferenças: é preciso também se colocar no lugar de outra pessoa.
Sua reflexão relaciona temas como migração, desigualdade, discriminação e memória à busca por um mundo mais justo. Nesse contexto, a arte e a poesia aparecem como espaços de sensibilidade, aproximação e diálogo entre diferentes experiências.
Gerson Fogaça e as cidades
Natural da Cidade de Goiás, Gerson Fogaça investiga desde a década de 1980 as transformações das paisagens urbanas. Suas pinturas exploram cores, formas e sobreposições para representar o movimento e as contradições das cidades contemporâneas.
O artista tem trajetória internacional e já expôs em instituições como o Museu Nacional da República, em Brasília; o Museu de Arte Contemporânea de Caracas, na Venezuela; e o Museu Carlos Alonso, em Mendoza, na Argentina. Seu currículo também inclui exposições em espaços culturais da Europa e das Américas.
Sophia Pinheiro e o audiovisual
Nascida em Goiânia, Sophia Pinheiro é artista visual, cineasta e pesquisadora. Sua produção reúne pintura, desenho, performance e audiovisual, com trabalhos que abordam o corpo, as feminilidades, a natureza e o imaginário.
Doutora em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ela também atua como professora da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Desde 2015, desenvolve projetos colaborativos com artistas indígenas e integra a coordenação da Katahirine, Rede Audiovisual de Mulheres Indígenas.
Héctor Vargas-Salazar
O mexicano Héctor Vargas-Salazar trabalha com desenho e pintura para investigar a figura humana, a violência e o estranhamento. Suas imagens também exploram aspectos de delicadeza, criando contrastes entre os temas e as formas de representação.
Entre 2008 e 2019, o artista integrou o Taller de Gráfica Popular, onde atuou com litografia, ensino e curadoria. Com exposições em diferentes países, recebeu um prêmio internacional de desenho na primeira Bienal de Cali, em 2022.









