A duas rodadas do encerramento da Série B do Campeonato Brasileiro, o Goiás Esporte Clube vive um cenário de profunda crise financeira, que ameaça comprometer a reação da equipe na reta final da competição. Na sétima colocação, com 55 pontos, o Verdão segue vivo na disputa por uma vaga no G-6, grupo que garante presença nos playoffs de acesso à Série A.
Apesar da boa fase dentro de campo, com quatro vitórias e um empate nos últimos cinco jogos, a situação nos bastidores é de insatisfação entre jogadores e comissão técnica, principalmente pelos atrasos salariais acumulados nos últimos meses.
A crise ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (5), quando os jogadores decidiram não realizar o treinamento programado para a manhã, no CT Edmo Pinheiro. A paralisação foi uma forma de protesto contra as pendências financeiras do clube, que incluem aproximadamente quatro meses de salários atrasados, além de dívidas referentes a direitos de imagem e premiações por vitórias.
O técnico Mozart Santos já havia exposto publicamente a situação, destacando o comprometimento dos atletas, que continuam apresentando bons resultados mesmo sem receber seus vencimentos regularmente.
A insatisfação também chegou às arquibancadas. Na tarde desta quinta-feira, cerca de 30 torcedores estiveram na Serrinha para realizar um protesto pacífico em apoio aos jogadores e à comissão técnica. Integrantes da torcida organizada Força Jovem cobraram providências da diretoria e o pagamento dos salários atrasados.
Os manifestantes tiveram a entrada autorizada na sede administrativa, e alguns representantes participaram de uma reunião com o presidente executivo Munir Calixto. Os atletas, que estavam presentes no local, não foram hostilizados. As cobranças foram direcionadas aos dirigentes, responsabilizados pela situação financeira enfrentada pelo clube.
Na tentativa de amenizar a crise, a diretoria esmeraldina busca recursos para regularizar os pagamentos. Entre as alternativas está uma operação de empréstimo de R$ 11,4 milhões junto ao Banco de Brasília (BRB), anunciada como solução para quitar parte das pendências, mas que ainda não resultou no pagamento dos valores devidos ao elenco.
O cenário aumenta o desgaste da administração, especialmente diante de promessas anteriores de regularização que não foram cumpridas. Enquanto isso, jogadores e comissão técnica convivem com a insegurança financeira em um dos momentos mais importantes da temporada.
Dentro de campo, o Goiás tenta impedir que a crise comprometa suas últimas chances de acesso. Restam dois compromissos na fase de classificação da Série B: neste domingo (8), diante da Ponte Preta, no Estádio Hailé Pinheiro, na Serrinha, e posteriormente contra o Sport, na Ilha do Retiro, em Recife.
Com 55 pontos e ocupando a sétima posição, o Verdão precisa ultrapassar concorrentes diretos, especialmente o CRB, atual sexto colocado, para garantir presença nos playoffs. A sequência positiva, com 13 pontos conquistados dos últimos 15 disputados, mantém a esperança da torcida esmeraldina. Entretanto, o contraste entre o desempenho dos jogadores e a grave crise administrativa coloca o Goiás diante de um desafio que vai muito além das quatro linhas.
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