Goiânia subiu duas posições no ranking nacional de cidades mais seguras e passou a ocupar o quarto lugar entre as capitais brasileiras com menores taxas de assassinatos. Segundo o Anuário 2026 de Cidades Mais Seguras do Brasil, a capital goiana registrou 15,2 mortes por 100 mil habitantes em 2025. O índice ficou aproximadamente 29% abaixo da média nacional, de 21,5.
O resultado também representa a menor taxa de assassinatos de Goiânia desde o início da série histórica do levantamento. Apesar do avanço, é importante entender o que os números medem. A classificação considera a taxa de mortes violentas em relação à população, mas não avalia diretamente crimes como roubos, furtos ou violência doméstica que não resulte em morte.
O anuário utiliza dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Saúde. Com base nesses registros, o estudo compara os municípios proporcionalmente à população, permitindo observar diferenças entre cidades de portes distintos.
Quais são as capitais com menores taxas de assassinatos?
Goiânia aparece atrás de Florianópolis, São Paulo e Brasília. A capital catarinense lidera o ranking, com 11,5 mortes por 100 mil habitantes. São Paulo registra 12,3, enquanto Brasília apresenta 12,4.
Confira as dez capitais mais bem colocadas no levantamento de 2026:
| Posição | Capital | Mortes por 100 mil habitantes |
|---|---|---|
| 1º | Florianópolis (SC) | 11,5 |
| 2º | São Paulo (SP) | 12,3 |
| 3º | Brasília (DF) | 12,4 |
| 4º | Goiânia (GO) | 15,2 |
| 5º | Porto Alegre (RS) | 15,8 |
| 6º | Cuiabá (MT) | 17,0 |
| 7º | Belém (PA) | 18,6 |
| 8º | Campo Grande (MS) | 19,5 |
| 9º | Curitiba (PR) | 20,1 |
| 10º | Manaus (AM) | 20,4 |
No recorte do Centro-Oeste, Goiânia ocupa a segunda posição entre as capitais com menores taxas, atrás apenas de Brasília. Cuiabá aparece em sexto lugar no ranking nacional, enquanto Campo Grande ocupa a oitava posição.
A classificação, entretanto, não significa que todas as regiões da capital apresentem os mesmos índices de segurança. A taxa municipal reúne os registros da cidade como um todo e não revela, isoladamente, as diferenças entre bairros ou os riscos enfrentados por cada morador.
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Como o ranking calcula a taxa de assassinatos?
O Anuário 2026 de Cidades Mais Seguras do Brasil utiliza registros de mortalidade e dados populacionais para calcular a quantidade de assassinatos por 100 mil habitantes. Para classificar as mortes, o levantamento considera categorias da Classificação Internacional de Doenças (CID-10).
Esse método permite comparar municípios com populações diferentes. Afinal, uma cidade pode registrar mais mortes em números absolutos e, ainda assim, apresentar uma taxa proporcional menor do que outra com menos habitantes.
Também é importante distinguir esse indicador das estatísticas policiais. Enquanto o levantamento do anuário parte de registros de óbitos, os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) são enviados pelas autoridades estaduais e consideram ocorrências criminais. Por isso, os números podem divergir, mesmo quando tratam da violência letal.
Em Goiás, por exemplo, o Mapa da Segurança Pública 2026 registrou 756 homicídios dolosos em 2025, ante 903 no ano anterior. A redução foi de 16,28%, equivalente a 147 casos a menos. O estado alcançou a sexta menor taxa de homicídios dolosos do país, com 10,18 ocorrências por 100 mil habitantes.
Esse indicador estadual, porém, não deve ser confundido com a taxa municipal de Goiânia divulgada pelo anuário. Os levantamentos utilizam bases e recortes geográficos diferentes.
Prefeitura aponta redução de ocorrências em distribuidoras
Entre as medidas citadas pela Prefeitura de Goiânia está a Lei nº 11.459, de 30 de julho de 2025, que restringe o atendimento presencial em distribuidoras de bebidas durante a madrugada.
Pela regra, os estabelecimentos podem atender presencialmente entre 5h e 23h59. Da meia-noite às 4h59, o funcionamento fica restrito ao delivery, sem circulação de clientes no interior ou nas imediações.
Segundo balanço divulgado pela administração municipal, os homicídios registrados nesses estabelecimentos diminuíram 90,91% após a implementação da medida. A Prefeitura também informou queda de 71,10% nas brigas e de 84,44% nas ocorrências de perturbação do sossego.
O material, entretanto, não detalha os números absolutos nem os períodos exatos utilizados nas comparações. Dessa forma, os percentuais mostram os resultados informados pela gestão, mas não permitem atribuir isoladamente toda a redução à mudança no horário de funcionamento.
Goiânia + Segura prevê ampliar videomonitoramento
Outra iniciativa municipal é o programa Goiânia + Segura, lançado em setembro de 2026. A proposta reúne videomonitoramento e patrulhamento em espaços públicos, com a meta de integrar até 10 mil câmeras à rede municipal.
Segundo os números apresentados pela Prefeitura no lançamento, 1.800 equipamentos de alta resolução estão previstos para a etapa inicial, dos quais 220 já estavam em operação. Portanto, a meta de 10 mil câmeras representa uma expansão planejada, e não a estrutura atualmente em funcionamento.
O projeto também prevê a construção de um novo Centro Operacional até 2028, conectado por uma rede de mais de 800 quilômetros de fibra óptica e integrado a 626 prédios públicos.
A administração municipal informou ainda que substituiu luminárias convencionais por equipamentos de LED em mais de 200 mil pontos da capital. A medida busca melhorar a iluminação de ruas, praças e parques, especialmente durante a noite.
Guarda Civil e proteção às mulheres
A Prefeitura também aponta investimentos na Guarda Civil Metropolitana (GCM), incluindo a incorporação de 111 veículos para reforçar as atividades operacionais. Na área de pessoal, a gestão anunciou concurso com previsão de convocação de 200 agentes e formação de cadastro de reserva com outros 500 candidatos. Os números correspondem ao planejamento divulgado, não necessariamente ao total de profissionais já incorporados.
O patrulhamento municipal inclui terminais de transporte coletivo, praças e parques. Nos pontos de ônibus, a operação informada pela gestão ocorre diariamente entre 4h e 6h, com previsão de atuação de 40 viaturas e 65 agentes da Ronda Ostensiva Municipal (ROMU), além do apoio do Grupo de Operações com Cães e da Polícia Militar.
Na proteção às mulheres, a Patrulha Mulher Mais Segura acompanha casos de violência e oferece recursos de atendimento. Conforme os dados divulgados pela Prefeitura, 1.052 mulheres estão cadastradas no aplicativo Prefeitura 24h, que disponibiliza o chamado Botão do Pânico.
O recurso permite acionar atendimento em situações de risco, conforme os procedimentos da rede municipal. Ainda assim, essas iniciativas não integram diretamente o cálculo do anuário, que se concentra na taxa de assassinatos.
O avanço de Goiânia no ranking representa um resultado relevante no indicador de violência letal. Para compreender a segurança da capital de forma mais ampla, porém, é necessário observar também outros crimes, as diferenças entre regiões e a evolução dos registros ao longo do tempo.









