Uma exposição gratuita em Goiânia convida o público a conhecer as favelas brasileiras por uma perspectiva que vai além das imagens normalmente associadas a esses territórios. Em cartaz no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (UFG), a mostra “Memórias, Imagens e Arquiteturas da Permanência”, do artista Kdu dos Anjos, reúne trabalhos que exploram as relações entre arquitetura, identidade, lembranças familiares e vida nas periferias.
A visitação segue até 13 de novembro de 2026, das 10h às 17h30, com entrada gratuita. As obras partem de fotografias, cenas de cinema, retratos, paisagens e arquivos pessoais para apresentar diferentes formas de enxergar os lugares onde milhares de brasileiros constroem suas histórias.
A proposta é mostrar que a arquitetura de uma favela não se resume às casas, ruas e construções. Esses espaços também guardam memórias, encontros, relações afetivas e experiências de quem vive neles.
Artista transforma memórias das periferias em pinturas
Kdu dos Anjos é o criador do Centro Cultural Lá da Favelinha, fundado em 2015 no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Sua trajetória está ligada a iniciativas que aproximam cultura, educação, comunicação, arquitetura e território. Ao longo dos anos, o artista participou da criação de espaços culturais, intervenções urbanas e projetos arquitetônicos, experiências que também contribuíram para seu interesse pela formação em Arquitetura e Urbanismo.
xposição de Kdu dos Anjos apresenta pinturas inspiradas nas memórias e vivências das periferias brasileiras. Foto: Divulgação.
Na exposição apresentada em Goiânia, essa vivência aparece em trabalhos que investigam a relação entre as pessoas e os lugares onde vivem.
Em vez de reproduzir imagens conhecidas das favelas, Kdu utiliza essas referências como ponto de partida para construir novas representações. Rostos, gestos, ruas, construções e acontecimentos ganham espaço em pinturas que procuram preservar histórias e vínculos.
O resultado é uma investigação visual sobre aquilo que permanece na memória coletiva, mesmo quando os territórios passam por transformações.
Três séries apresentam diferentes olhares sobre as favelas
A mostra reúne trabalhos de três séries: “Sentinelas — Carrancas Pinceladas”, “Nóis que Ficamo” e “Cidade de Deus”.
Embora partam de referências diferentes, as produções compartilham uma preocupação central: compreender quais imagens permanecem quando a favela é observada a partir da experiência de seus próprios moradores.
As obras aproximam lembranças familiares, registros fotográficos, paisagens e referências culturais que fazem parte do imaginário brasileiro.
Entre os territórios e referências presentes na pesquisa estão o Rio São Francisco, o Aglomerado da Serra e o universo visual relacionado ao cinema nacional.
A série “Cidade de Deus”, por exemplo, integra esse diálogo com imagens que circulam na cultura brasileira. O interesse do artista não está apenas em recuperar referências conhecidas, mas em investigar como elas participam da construção de ideias sobre as periferias.
Já a aproximação com o Rio São Francisco e com as lembranças familiares amplia o olhar para outras experiências de pertencimento e permanência.
Ao reunir essas produções, a exposição apresenta uma reflexão sobre memória individual e coletiva, mostrando como as histórias de um território também são construídas por quem o habita.
Arquitetura aparece como parte da vida cotidiana
Um dos aspectos mais interessantes da mostra é a maneira como a arquitetura aparece nas obras.
As construções não são tratadas apenas como elementos de uma paisagem urbana. Elas participam da organização da vida, criam espaços de convivência, estabelecem limites e guardam marcas da passagem do tempo.
Uma rua pode representar encontros entre vizinhos. Uma casa pode carregar lembranças de diferentes gerações. Uma paisagem pode reunir experiências pessoais e coletivas que dificilmente aparecem nos registros oficiais de uma cidade.
É a partir dessas relações que Kdu dos Anjos constrói parte de sua pesquisa artística.
A proposta também questiona o apagamento de histórias ligadas às periferias brasileiras. Ao transformar lembranças e referências em pinturas, o artista procura dar visibilidade às pessoas e aos vínculos que continuam presentes nesses espaços.
O trabalho oferece ao visitante a oportunidade de observar as favelas como territórios de produção cultural, memória e identidade, e não apenas como cenários de problemas urbanos.
Centro Cultural UFG oferece programação artística gratuita
A exposição integra a programação do Centro Cultural UFG, localizado no Setor Leste Universitário, em Goiânia.
O espaço recebe diferentes manifestações artísticas e permite que o público tenha acesso gratuito a parte importante da produção cultural contemporânea.
Para quem gosta de exposições, a capital também conta com outras iniciativas voltadas às artes visuais. O Curta Mais já apresentou, por exemplo, três exposições gratuitas de arte contemporânea na Vila Cultural Cora Coralina, com propostas que exploram diferentes linguagens e experiências humanas.
Na mostra de Kdu dos Anjos, o diferencial está na relação entre arte e território. As pinturas convidam o visitante a perceber como os espaços urbanos são formados não apenas por estruturas físicas, mas também pelas pessoas e pelas histórias que se desenvolvem neles.
Com curadoria de DMS, “Memórias, Imagens e Arquiteturas da Permanência” permanece aberta até a primeira quinzena de novembro.
Como visitar a exposição gratuita em Goiânia
A visitação começou em 14 de outubro e segue até 13 de novembro de 2026. Não é necessário comprar ingresso.
De acordo com a programação oficial do Centro Cultural UFG, o público pode conhecer os trabalhos gratuitamente, das 10h às 17h30.
Serviço
Exposição: Memórias, Imagens e Arquiteturas da Permanência
Artista: Kdu dos Anjos
Curadoria: DMS
Visitação: até 13 de novembro de 2026
Horário: das 10h às 17h30
Local: Centro Cultural UFG
Endereço: Avenida Universitária, nº 1.533, Setor Leste Universitário, Goiânia
Entrada: gratuita









