A greve dos bancários da Caixa Econômica Federal chegou nesta quarta-feira (23) ao 13º dia de duração e afeta todos os serviços prestados pelo banco no país. Um deles diz respeito à construção civil. Novos contratos estão paralisados, há prejuízos às medições e aos pagamentos de contratos que já estavam firmados.
O cenário preocupa construtores goianos, que veem riscos às operações cada vez maiores com o prolongamento da paralisação. O presidente da Federação Nacional das Pequenas Construtoras (Fenapc) João Victor Ribeiro, aponta que esta é a greve de maior impacto nas últimas duas décadas e há um enorme prejuízo ao setor em Goiás.
“Está absolutamente tudo parado. Não há nada funcionando na Caixa, e ela detém 68% do mercado de financiamentos imobiliários no Brasil”, aponta. De acordo com dados da Fenapc, há 3 mil contratos por dia que deixam de ser analisados por conta da paralisação.
“São contratos de empreendimentos financiados pela Caixa. De aquisição e construção; de pessoas físicas que pegam financiamento; de vendas de unidades prontas”, frisa.
A Fenapc, que reúne mais de 2 mil empresas através de 22 associações no país, divulgou na terça-feira (22) uma nota em que reconhece a legitimidade das reivindicações dos trabalhadores, mas aponta “impactos concretos na cadeia da construção civil, com atrasos em análises, medições, processos de conformidade, repasses, assinaturas de contratos e outros procedimentos indispensáveis à continuidade dos empreendimentos.”
Obras devem parar
Dado consolidado da Caixa mostra que somente em Goiás e no Distrito Federal há 60 mil unidades com contratos em vigência. Todos estes, em alguma medida, aponta o presidente da Fenapc, serão prejudicados.
“Muitas das obras estão sendo paralisadas. Tivemos uma reunião com o Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás) e a ordem das construtoras é parar todas as obras com recurso da Caixa a partir de sexta-feira (25)”, relatou Ribeiro.
O líder classista explica que é hábito do setor enviar ao banco às medições mensais previstas em contrato até o dia 10, para que o pagamento seja feito até dia 25. “Assim conseguimos honrar os compromissos do mês seguinte”, detalha. Porém, com a greve, deve haver muitas empresas com problemas de fluxo de caixa.
“Setembro está perdido. Ninguém vai receber nada. O que está ao nosso alcance fazer é buscar junto aos fornecedores postergamento de pagamentos, renegociação de títulos que estão vencendo. Mas no dia 1º tem folha vencendo. Está todo mudo preocupado com o fluxo de caixa. Não vai voltar a um fluxo normal. Vamos ter um baque”, antevê Ribeiro.
Entre as obras estão muitas financiadas pelo Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), criado pelo governo federal governo para financiar a construção de moradias populares e obras de infraestrutura para famílias de baixa renda. Ademais, qualquer tipo de nova contratação está suspensa. “E vai ter uma demanda represada enorme. Se a greve acabasse nesta semana, numa hipótese muito otimista, se levaria um mês para regularizar”, estima o presidente da Fenapc.
Greve
A greve nacional dos funcionários da Caixa Econômica Federal continua por tempo indeterminado. Na última assembleia a categoria rejeitou, por 59,3% dos votos, a mais recente proposta de acordo coletivo apresentada pelo banco.
O plano de saúde dos funcionários é o principal motivo para a continuidade da greve. Os trabalhadores rejeitam o modelo de reajuste proposto para os próximos anos.
A estatal propõe ampliar de 6,5% para 9% o teto de participação sobre a folha de pagamento no custeio do Saúde Caixa a partir de 2027, mantidos o pacto intergeracional e o convênio no acordo coletivo de trabalho. Não haveria cobrança diferenciada por faixa etária.
Segundo o banco, não haverá reajuste nas mensalidades em 2026 e a Caixa assumirá o déficit do plano. A partir de 2027, a contribuição do titular passa a ser de 3,7% da remuneração-base dos funcionários e a de dependente direto, de R$ 560.
Para dependente indireto que for filho de 21 a 24 anos, a mensalidade será de R$ 660. Para filhos de 24 a 27 anos e pais/mães remanescentes, a mensalidade será de R$ 900. O limite do grupo familiar (titular e dependentes diretos) será de 9%.
O banco reduziu de R$ 150 para R$ 120 a cobrança de consulta em pronto atendimento e manteve a isenção de coparticipação para atendimentos por telemedicina. Além disso, garantiria o reajuste de 4,6% já pago para todos os demais bancários do país, que representa 0,6% acima da inflação do período.
Nas contas dos empregados da Caixa, no entanto, o valor a ser pago pelo plano de saúde ainda não é o ideal, porque faria com que o reajuste real em seus salários fosse zerado ao custear o convênio. Na prática, não receberiam nada.
Leia mais sobre: Caixa Econômica Federal / Cidades / Economia








