Hugo Jorge Bravo – Vila Nova (Foto – Roberto Corrêa)
O vice-presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, voltou a fazer duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio à discussão sobre o encerramento das atividades das plataformas de apostas esportivas no Brasil. Uma semana após manifestar preocupação com os impactos financeiros da medida, o dirigente colorado voltou a abordar o assunto em entrevista e chamou o presidente da República de “lambão”.
Hugo Bravo também alertou que o clube colorado poderá enfrentar dificuldades para cumprir seus compromissos financeiros, inclusive com a possibilidade de atraso no pagamento de salários. Segundo o dirigente, suas declarações anteriores foram interpretadas de maneira equivocada. Ressaltou que não se posicionou a favor ou contra as apostas esportivas, mas questionou os efeitos de uma eventual proibição imediata sobre os contratos de patrocínio em vigor no futebol brasileiro.
“Em nenhum momento eu falei que era a favor ou contra bets. O que eu falei era trazer uma análise de que a proibição abrupta geraria danos aos clubes com contratos. Vamos cair já agora em torno de 30%, 40% da receita do Vila. E aí, quem vai pagar a conta? Quem vai pagar essa conta mês que vem? Nós vamos atrasar salário, e aí? É 30%, 40% a menos na arrecadação”, afirmou.
Hugo Bravo também questionou a condução do tema pelo governo federal, lembrando que o próprio Executivo regulamentou o setor e passou a arrecadar impostos das empresas de apostas. Para ele, uma mudança repentina nas regras compromete a segurança jurídica e prejudica diretamente instituições que possuem contratos comerciais em andamento.
“Um bando de idiota, a começar do nosso líder. Líder? Não é líder porque não me lidera porra nenhuma. Do presidente da República, eleito democraticamente, nós temos que respeitar, eleição democrática, mas não tem cabimento. No governo, ele regulamenta algo que já deveria ter sido regulamentado há muito tempo. Regulamenta. E aí as empresas não têm segurança jurídica nenhuma no país”, disparou.
O vice-presidente colorado também classificou a iniciativa como uma medida de caráter eleitoral e contestou a possibilidade de eliminar as apostas por meio da proibição das plataformas regulamentadas. Na avaliação de Hugo, o resultado seria o fortalecimento do mercado clandestino, que continuaria operando pela internet, sem os mecanismos de fiscalização existentes no setor legalizado. “Aí o nosso lambão, porque faz uma lambança, feita por um lambão, chega e fala que quer vender agora o fim das bets. Não, não tem fim de bet, filho. Não vai acabar bet. O que você vai fazer é levar 100% para a ilegalidade”, declarou.
O dirigente ainda criticou a ausência de um período de transição para os clubes reorganizarem suas receitas. Segundo ele, o Vila Nova Futebol Clube poderá perder de 30% a 40% de sua arrecadação, cenário que exigiria alternativas emergenciais, como empréstimos e maior participação financeira dos torcedores, para garantir o cumprimento das obrigações até o encerramento da temporada.
Atraso de Salários
Sobre a preocupação com a situação financeira do Vila Nova, Hugo Bravo admitiu que o clube poderá enfrentar dificuldades para encerrar a atual temporada, principalmente se não conquistar o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. Segundo o dirigente, a perda das receitas provenientes das apostas esportivas terá consequências imediatas, atingindo tanto o patrocínio da camisa quanto os contratos de publicidade.
“Aqui nós vamos atrasar salário, nós não vamos conseguir cumprir as nossas obrigações. Se a gente não subir, ano que vem vamos ter que reduzir salários significativamente. Atletas que têm contrato por um longo período, provavelmente vamos ter que chamar, sentar e renegociar, porque o cenário que se criou pelo lambão vai repercutir drasticamente”, afirmou.
O vice-presidente explicou que o Vila Nova recebe mensalmente os valores referentes aos contratos comerciais, descartando a possibilidade de já ter recebido antecipadamente toda a receita prevista para a temporada. Além da perda do patrocinador máster, Hugo citou os possíveis reflexos no contrato com a Brax, responsável pela comercialização de placas de publicidade.
Ele cobrou uma atuação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) diante das dificuldades financeiras que poderão atingir os clubes. “Colapso, né? Fair play financeiro vai para o espaço. Não adianta cobrar fair play agora, não. Vocês vão ter que dar uma trégua, inclusive. E aí o pessoal que está lá vai ter que pensar até numa forma de ajudar os clubes”, declarou.
As críticas ao presidente Lula também continuaram. Hugo Bravo voltou a associar a decisão do governo federal ao calendário eleitoral e questionou a condução política e econômica do país. “Na Inglaterra é permitido e em outros países é permitido, mas aqui, véspera de eleição, fragilidade, isso ali é uma piada. O país da fanfarronagem. A sorte do Brasil é que Deus é tão bom com o Brasil que colocou uma terra tão rica aqui, que ainda permite ter um país que vai passar por essas situações, mesmo tendo um lambão à frente dele”, disparou o vice-presidente colorado.
Favorável ou Contrário
Hugo Jorge Bravo evitou assumir uma posição definitiva, mas defendeu a regulamentação das apostas esportivas e se manifestou contra os jogos de cassino online. “Eu não tenho uma posição hoje bem concreta. Particularmente, eu não jogo, não aposto. É muito mais fácil você regulamentar, ter um controle de quem aposta. Eu sou a favor de acabar com os cassinos, isso aí já é fato. Agora, a aposta esportiva, se ela for um negócio controlado…”, afirmou o dirigente, ressaltando que o Vila Nova recebe patrocínios de empresas que atuam legalmente no país.
Presidente Lula
O homem forte do futebol no Vila Nova – voltou a elevar o tom das críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendendo que uma decisão dessa dimensão deveria ser precedida de estudos sobre os impactos econômicos e sociais, além de um planejamento para os setores envolvidos. “Primeiro você fazer um estudo do que fazer, as medidas, as consequências, as pessoas envolvidas, fazer um planejamento. Agora, o cara está perdendo, a eleição está disputada, está ruim para ele, o adversário crescendo. Aí ele pega isso e fala assim: ‘Eu vou ali proibir a bet’. Aí tem um monte de pateta que cai na dele, um bando de analfabeto funcional”, disparou.
Na sequência, Hugo intensificou os ataques pessoais a Lula, a quem chamou de “estelionatário” e “bandido”, ao questionar a decisão de proibir uma atividade anteriormente regulamentada pelo próprio governo. “Ele é um estelionatário. O cara que vai lá, regulamenta, faz: ‘Vamos fazer um acordo. Para vocês operarem no Brasil, vocês vêm aqui, vão pagar imposto‘. Inclusive, queriam aumentar agora recentemente. Aí, do dia para a noite, vai lá e acaba. O que é isso aí? Isso é bandido. É bandido, é coisa de quem já tem passagem pela polícia”, declarou o vice-presidente do Vila Nova.
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