“Eu também vivi essa situação. Por isso, Miguel Sanchez Neto, que escreveu o prefácio, diz que a obra é uma autoficção. É uma situação vivida transformada em ficção e que também faço uma crítica a hostilidade do Brasil aos sertanejos”, detalha o escritor.
Menino sonha em aprender a ler
Um dos fios da narrativa é o sonho do menino de oito anos de aprender a ler. A aproximação com as palavras acontece a partir de um Almanaque do Biotônico Fontoura, levado à fazenda por um vendedor, que lê o conteúdo do livreto para ele. A partir dessa experiência, o garoto começa a decifrar os textos e imagina que um dia poderá contar e escrever histórias.
O episódio tem relação com a trajetória do próprio autor, que lembra ter fingido que sabia ler antes de conseguir fazê-lo de verdade. “Até surgiu um boato de que eu tomei Biotônico Fontoura e aprendi a ler. Só que não sabia ler, eu estava fingindo. Um dia chegou o dono da fazenda e falei para ele que queria aprender a ler de verdade. Queria contar histórias e escrever histórias iguais às que tinham no Almanaque”, conta Edival Lourenço.
Apesar de abordar uma experiência dolorosa, o escritor optou por uma narrativa que também tem humor. “Escrevi uma história leve, com humor, embora a história seja dolorida. Afinal, só dói quando eu rio. Então eu rio com dor, mas rindo”, afirma.
Escritor tem trajetória premiada
Edival Lourenço de Oliveira nasceu em Iporá (GO), em 1952, e atualmente mora em Goiânia. Advogado, aposentado pela Caixa Econômica Federal, foi presidente da União Brasileira de Escritores (UBE) de Goiás e ocupa a cadeira nº 22 da Academia Goiana de Letras. Também é colunista do jornal O Popular e da Revista Bula, foi secretário de Cultura de Goiás e coapresentou por dez anos o programa Raízes Jornalismo Cultural, da PUC TV Goiás.
O escritor é autor de livros de poemas, crônicas, contos e romances. Entre os títulos e reconhecimentos de sua trajetória estão “A Centopeia de neon”, que recebeu o Prêmio Nacional de Romance do Estado do Paraná, em 1994, e “Naqueles morros depois da chuva”, vencedor dos prêmios Jaburu e Jabuti, em 2012. Em 1989, recebeu o Prêmio Nacional de Crônicas do Festival de Inverno de Campos do Jordão (SP), pela crônica “Infância diversa”.
“Um palmo ou dois acima do chão” recebeu o Prêmio Nacional Bariani Ortêncio de romance inédito em 2025. A publicação contou com apoio do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás (FAC) e pode ser adquirida pelo site da editora Faria e Silva.









