Pela primeira vez, oposição supera Lula em cenários de segundo turno. Foto: Reprodução/Montagem
O cenário político nacional apresenta um acirramento histórico nas projeções de segundo turno, segundo dados da nova rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta terça-feira (8). O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aparece em situação de empate técnico, mas em desvantagem numérica inédita contra dois importantes nomes da oposição: o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o escritor Augusto Cury (Avante).
No embate direto entre Lula e Flávio, a oscilação favoreceu a oposição, registrando uma inversão em relação à semana anterior. Enquanto o atual presidente liderava o cenário anterior por 46% a 45%, o novo levantamento aponta inversão, com o senador com 46% das intenções de voto contra 45% de Lula. Essa flutuação de um ponto percentual para cada lado ilustra um equilíbrio absoluto dentro da margem de erro de dois pontos. Os votos brancos, nulos ou a opção por nenhum candidato somam 8%, e 1% não soube ou não quis responder.
A pesquisa também trouxe uma simulação de segundo turno inédita envolvendo o escritor Augusto Cury, que também aparece em vantagem numérica sobre o atual chefe do Executivo. O autor alcança 45% das intenções de voto frente a 43% de Lula. Com a diferença de dois pontos, ambos os candidatos também figuram em condição de empate técnico. Nesse cenário, 10% dos eleitores indicam voto branco ou nulo, e 1% não opinou.
Oposição forte entre jovens e no Sul do país
A análise dos dados sociodemográficos detalha onde os candidatos da oposição encontram suas principais forças de sustentação eleitoral. Tanto Flávio Bolsonaro quanto Augusto Cury detêm uma ampla liderança nos segmentos mais jovens e nas regiões Sul e Centro-Oeste do país.
Na faixa etária de 16 a 24 anos, Augusto Cury obtém 58%, contra 36% de Lula. Ele mantém a dianteira entre os eleitores de 25 a 40 anos, somando 55% contra 35% do presidente. De maneira muito similar, Flávio Bolsonaro conquista 53% das intenções em ambas as faixas etárias juvenis (16 a 24 e 25 a 40 anos), abrindo expressiva margem contra os 40% e 36% de Lula, respectivamente.
Geograficamente, a região Sul consolida o reduto mais forte de oposição. Flávio atinge 65% de apoio na região Sul, abrindo uma folga de 39 pontos percentuais sobre Lula (26%). No mesmo recorte regional, Cury chega a 64% das intenções, estabelecendo uma distância de 40 pontos para o presidente, que tem 24%. No Norte/Centro-Oeste, a tendência se repete: Flávio marca 53% a 38%, e Cury lidera numericamente por 48% a 38%.
Em contrapartida, Lula preserva sua força eleitoral no Nordeste, onde vence Flávio por 59% a 32% e supera Cury por 58% a 35%. O presidente também recupera vantagem entre os eleitores acima de 60 anos (vencendo Flávio por 51% a 39% e Cury por 52% a 33%), entre a população feminina e nas camadas de menor renda familiar, de até um salário mínimo.
O impacto de outras forças políticas
Para além dos dois líderes oposicionistas nas projeções de segundo turno, o levantamento mediu a força de outros potenciais concorrentes contra Lula. O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também alcança situação de igualdade no limite estatístico, somando 43% das intenções de voto contra 46% do atual presidente. Outras opções testadas, como o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), aparecem atrás, marcando 40% e 39% respectivamente, contra 47% de Lula em ambos os confrontos.
A pesquisa BTG/Nexus reflete também os primeiros desdobramentos de um período de forte desgaste político e crise institucional. O campo de amostragem foi coletado logo após as comemorações de 7 de setembro e o acirramento das tensões envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Esse cenário polarizado parece ter impulsionado a mobilização da oposição na reta final da pré-campanha.
O levantamento estatístico coletou dados de 2.002 eleitores por meio de chamadas telefônicas assistidas por computador entre os dias 4 e 7 de setembro de 2026. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pelo Banco BTG Pactual S.A. e devidamente registrada perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob a inscrição BR-06790/2026.
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