Pílula anticoncepcional masculina promete efeito de até 8 horas e avança para testes em humanos

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Pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, desenvolvem pílula anticoncepcional masculina sem hormônios, com efeito temporário previsto de seis a oito horas. Foto: Freepik.

Pesquisadores do Weill Cornell Medicine, instituição ligada à Universidade Cornell, em Nova York, desenvolveram uma pílula anticoncepcional masculina de ação temporária, planejada para ser tomada antes da relação sexual. O medicamento não contém hormônios e, nos estudos pré-clínicos, demonstrou capacidade de interromper temporariamente a movimentação dos espermatozoides. A próxima etapa será avaliar a segurança da substância em humanos.

A proposta é que o comprimido seja ingerido cerca de 30 minutos antes da relação sexual e ofereça uma janela de proteção contra a gravidez de seis a oito horas. Após esse período, a ação do medicamento deve cessar, permitindo a retomada da função reprodutiva. Esses efeitos, porém, ainda precisam ser confirmados em testes clínicos.

A pesquisa recebeu US$ 8,2 milhões em financiamento do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos (NICHD). Ainda não há previsão para a conclusão dos estudos nem garantia de que o medicamento chegará ao mercado.

Como funciona a pílula anticoncepcional masculina?

A pesquisa utiliza inibidores de uma enzima chamada adenilato ciclase solúvel (sAC), importante para o funcionamento dos espermatozoides. Nos experimentos realizados com camundongos, a inibição dessa enzima fez com que as células reprodutivas perdessem a capacidade de se movimentar, impedindo que nadassem normalmente.

A estratégia é diferente da utilizada por anticoncepcionais hormonais. Em vez de interferir diretamente na produção de hormônios sexuais, a substância atua sobre um mecanismo necessário para a mobilidade dos espermatozoides.

Segundo a proposta dos pesquisadores, a molécula foi desenvolvida para permanecer ligada ao seu alvo durante algumas horas, inclusive após a ejaculação no sistema reprodutor feminino. Dessa forma, a intenção é manter o efeito contraceptivo durante um período limitado, sem comprometer permanentemente a fertilidade.

Um dos coordenadores do estudo, Jochen Buck, explicou que a ação esperada é temporária. No entanto, a capacidade de impedir a gravidez e a duração do efeito em seres humanos ainda precisam ser estabelecidas por meio de ensaios clínicos.

Medicamento será testado em humanos

A próxima etapa da pesquisa é a fase 1 dos estudos clínicos, que tem como objetivo avaliar principalmente a segurança, a tolerabilidade e o comportamento da substância no organismo humano.

Nessa fase, homens saudáveis deverão receber o medicamento experimental ou um placebo, substância sem princípio ativo, para que os resultados sejam comparados. Caso os dados sejam considerados satisfatórios, o estudo poderá avançar para a fase 2, que envolve um grupo maior de participantes e permite aprofundar a avaliação dos efeitos e da resposta ao tratamento.

Ainda não há um cronograma definido para a conclusão dessa etapa. Também não existe previsão de quando o produto poderá ser submetido à aprovação regulatória.

Atualmente, a agência reguladora norte-americana Food and Drug Administration (FDA), equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, não possui anticoncepcionais masculinos aprovados para comercialização. Outras alternativas estão em desenvolvimento, incluindo comprimidos de uso diário, injeções de longa duração e géis contraceptivos.

Método temporário pode ampliar opções contraceptivas

A proposta da chamada “pílula das preliminares” é oferecer aos homens uma alternativa contraceptiva sob demanda, ou seja, utilizada apenas quando necessário. Por ter efeito limitado e reversível, o método poderá ampliar as possibilidades de planejamento reprodutivo caso sua segurança e eficácia sejam comprovadas.

Uma pesquisa citada no estudo aponta interesse potencial nesse tipo de contracepção: cerca de 50% dos homens entrevistados nos Estados Unidos e 75% dos entrevistados em outros países afirmaram que usariam um método contraceptivo masculino.

A possibilidade de interromper temporariamente a fertilidade, sem recorrer a um método definitivo, aparece como um dos fatores que tornam a proposta atraente para os participantes.

Apesar dos resultados iniciais, a pílula ainda não pode ser considerada um método contraceptivo disponível ou comprovadamente eficaz para seres humanos. Até a conclusão dos ensaios clínicos e a eventual aprovação pelas autoridades sanitárias, não há recomendação para seu uso fora de pesquisas autorizadas.

Preservativo continua importante para prevenir ISTs

O Ministério da Saúde recomenda o uso de preservativos nas relações sexuais tanto para prevenir a gravidez quanto para reduzir o risco de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV, HPV, sífilis, hepatites virais e gonorreia. Mesmo que a pílula masculina seja aprovada futuramente, a contracepção e a prevenção de infecções são objetivos diferentes. O medicamento experimental foi desenvolvido com foco na prevenção da gravidez e não deve ser considerado uma alternativa ao preservativo na proteção contra ISTs.


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