Presidente do Senado critica ataques eleitorais de senadores apoiadores de Flávio Bolsonaro, em sessão plenária

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, direcionou a fala a apoiadores de Flávio Bolsonaro que questionaram as urnas. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Na sessão para votações do Senado Federal, nesta quarta-feira (4), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se dirigiu aos colegas da Casa e cobrou o retorno a uma agenda voltada às reais necessidades da população. Alcolumbre criticou os ataques eleitorais, após a derrota do candidato derrotado à presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e a falta de propostas dos senadores.

Em sua fala, o parlamentar lamentou que candidaturas tenham sido construídas com base em hostilidades diárias em vez de projetos concretos de desenvolvimento econômico e social. “Muitos atores políticos do meu país, chamado Brasil, se promoveram em ganhar a eleição, ofendendo e agredindo as pessoas”, declarou.

O presidente do Senado ainda destacou a ausência de compromissos com pautas essenciais, como a saúde e a educação, por parte dos parlamentares. “Eles não apresentaram para os estados deles a proposta de levar novos institutos federais para formar a juventude e elas teriam futuro”, argumentou.

Além da omissão em projetos sociais, o presidente da Casa frisou a falta de empenho em “defender a democracia”, “defender o Estado de Direito” ou “defender as instituições democráticas”. Davi Alcolumbre criticou parlamentares que focaram seus discursos na propagação de ofensas e ameaças contra o Executivo, o Judiciário e a própria presidência do Senado em busca de dividendos eleitorais.

Incoerência nas acusações contra as urnas eletrônicas

O auge do discurso do presidente do Senado foi direcionado a narrativa dos parlamentares que tentaram desacreditar o sistema de votação eletrônica, em concordância com o senador e candidato à presidência derrotado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O presidente da Casa expôs a contradição da oposição, lembrando que a tecnologia foi amplamente celebrada no primeiro turno, quando elegeu bancadas expressivas.

“No primeiro turno a urna eletrônica prestou. No primeiro turno abriu a urna eletrônica e essa mesma urna eletrônica que tem 30 anos, ela serviu para eleger 120 deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição, essa mesma urna eletrônica serviu para eleger 20 e tantos senadores”.

Ele questionou o motivo de o questionamento surgir apenas após o resultado final desfavorável. “E quando abriu no segundo turno não prestou mais a urna. O resultado valeu para o primeiro turno? Eu não achei um para dizer que estava errada desde o primeiro turno“, pontuou Alcolumbre.

Cobrança por civilidade e rejeição à imposição de pautas derrotadas

Diante do cenário de polarização, a presidência convocou os senadores a elevar a qualidade das discussões parlamentares para além da disputa eleitoral. “Estou pedindo a vossas excelências que nós, todos nós, somos obrigados a trazer o debate para um senso razoável de país, estou pedindo para vossas excelências que a gente possa usar esses microfones para pensar o que é que nós queremos para as próximas gerações”, disse.

Ao abordar as tensões pós-eleitorais, ele advertiu que “a arrogância precede a queda” e lembrou que os mandatos da atual legislatura continuam vigentes até 31 de janeiro de 2027. Encerrando a manifestação, foi enfático ao rejeitar tentativas de impor no Congresso projetos que não foram vitoriosos nas urnas. “Trazer para um ambiente colegiado, onde tem senadores de vários partidos, uma imposição de um programa que foi derrotado, não aceitaremos”, finalizou.


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