Ronaldo Caiado (PSD) afirmou neste sábado (3), durante caminhada de encerramento da campanha de Daniel Vilela em Goiânia. Foto: Reprodução.
“Jamais a palavra renúncia, a palavra capitular, a palavra desistir, já não existe na trajetória de vida do Caiado.” Foi com essa afirmação que o candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) respondeu, neste sábado (3), às informações de que integrantes da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) teriam buscado seu apoio para que abrisse mão da candidatura no primeiro turno das Eleições 2026.
A declaração ocorreu durante a caminhada de encerramento da campanha de Daniel Vilela (MDB) em Goiânia. Caiado acompanhou o governador e candidato à reeleição no percurso entre a Praça Joaquim Lúcio, no Setor Campinas, e a Praça Botafogo, no Setor Leste Universitário. O trajeto tem cerca de 7 quilômetros e integra a programação final da campanha de Daniel na capital. A manifestação de Caiado também foi registrada pela imprensa local neste sábado.
Questionado diretamente sobre o pedido de apoio a Flávio Bolsonaro, Caiado afirmou que não considera a possibilidade de abandonar a disputa. Segundo ele, a trajetória política construída ao longo de décadas não permitiria uma mudança de posição na reta final da eleição:
Então, isso não existe. Jamais essa posição sequer foi cogitada comigo.
O candidato também contestou a forma como a informação sobre uma suposta tentativa de aproximação teria sido apresentada. “Primeiro, não teve essa palavra dele, até porque todas as pessoas me respeitam, sabem a minha trajetória de vida”, afirmou. Na sequência, Caiado ampliou a resposta para apresentar a candidatura como parte de uma trajetória política que, segundo ele, ultrapassa sua atuação individual: “A luta nossa significa, aqui, não uma luta da pessoa Ronaldo Caiado, é uma luta que fala por milhões de pessoas, não só em Goiás, mas no Brasil”.
A manifestação ocorre na véspera da votação. O primeiro turno das Eleições 2026 será realizado neste domingo (4), quando os eleitores escolherão presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual ou distrital. (Acompanhe a apuração da eleição 2026 ao vivo no DIÁRIO DE GOIÁS).
Segurança pública
Durante a mesma entrevista, Caiado também foi questionado sobre as propostas para a segurança pública em eventual governo federal. O candidato apresentou como principal eixo a ideia de que o presidente da República deve assumir diretamente a coordenação do combate ao crime organizado e à corrupção.
“A criminalidade no Brasil não vai ser resolvida por um ministro da Segurança Pública. Vai ser resolvida, a criminalidade no Brasil, a corrupção, elas serão resolvidas se o presidente da República assumir o comando do combate ao crime e à corrupção no país”, afirmou.
Na avaliação apresentada pelo candidato, a criação de estruturas administrativas, por si só, não seria suficiente para enfrentar os problemas de segurança. “Não adianta criar ministério se o presidente não assumir essa luta. Como eu assumi, como Daniel Vilela assumiu em Goiás. É o comando direto na mão do governador, do presidente da República”, declarou.
Caiado utilizou ainda sua experiência à frente do governo de Goiás como referência para a proposta nacional. Segundo ele, a segurança pública precisa estar diretamente sob acompanhamento do chefe do Executivo, sem transferência de responsabilidade para outras autoridades. “Não tem como achar responsabilidade para terceiro. Quem assumiu segurança pública, quando eu estava recolhido, meu secretário cumpria ordem e eu acompanhava a segurança todos os dias, toda hora e todo minuto. É assim que se resolve”, afirmou.
Ao defender sua proposta, o candidato associou o combate à criminalidade à atuação presidencial e à autoridade política para executar as medidas. “Tem que ter essa autoridade moral e coragem pessoal para enfrentar o crime e a corrupção no Brasil. Esse eu já deixei claro que eu tenho de sobra para poder corrigir isso”, disse.
Caiado encerrou a resposta com um apelo direto ao eleitorado: “Me empreste aí a sua coragem, me dê eleição que você vai ver que eu vou devolver o Brasil aos brasileiros de bem”.
Saúde e regionalização
A saúde também foi abordada durante a entrevista. Ao responder sobre suas principais propostas para o setor, Caiado afirmou que pretende levar para o âmbito federal o modelo de regionalização implantado durante sua gestão em Goiás. “Saúde é um tema que eu conheço bem e vocês podem saber que a regionalização que nós fizemos em Goiás nós vamos fazer no Brasil”, afirmou.
Segundo o candidato, a proposta parte da descentralização dos serviços de média e alta complexidade para reduzir a necessidade de deslocamentos de pacientes para grandes centros. Como exemplo, citou a oferta de hemodiálise em regiões próximas aos municípios onde vivem os pacientes.
“Hoje você vê o goiano tendo ali a condição de poder acessar a hemodiálise próximo do seu local. Você vê hoje a hospitalidade média de alta complexidade sendo distribuídas corretamente em todo o estado de Goiás e você vê vazios no Brasil de milhares de quilômetros”, declarou.
Caiado defendeu que a experiência de Goiás seja utilizada como referência para reorganizar a oferta de serviços de saúde em outras regiões do país. “Você vê pessoas com menor capacidade de serem atendidas, condições de serem atendidas. Então pode saber que este modelo é o modelo que nós implantaremos no Brasil”, afirmou.
Agricultura familiar
Na entrevista, o candidato também apresentou propostas voltadas ao agricultor familiar e ao pequeno produtor rural. Caiado citou programas de assistência técnica, comercialização e compra de alimentos como mecanismos para garantir renda a quem produz em pequenas propriedades.
Segundo ele, a proposta que pretende levar ao governo federal é ampliar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), de modo que a produção tenha canais de comercialização previamente estruturados. “Ele produz, e não precisa ficar ali sem saber como vai comercializar. O Estado já compra dele e distribui nas escolas, distribui nas creches, distribui onde se faz necessário”, afirmou.
Caiado também mencionou a atuação da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater), à qual se referiu durante a fala, e defendeu uma aproximação maior entre assistência técnica e pesquisa. “Junto a ele, é chegado a Emater, que junto com a Embrapa, chegará no cenário nacional, levando tecnologia”, declarou.
Como exemplo da política desenvolvida em Goiás, citou pequenos produtores assentados no Nordeste Goiano e uma parceria com Israel para produção agrícola. “Você vê hoje, os pequenos agricultores que foram assentados, que estavam largados no Nordeste Goiano, tiveram ali uma parceria também com o governo de Israel, onde você tem um hectare plantado de maracujá, um hectare plantado de manga. Tudo isso dando comercialização, dando renda”, afirmou.
Para Caiado, a política para a agricultura familiar deve considerar as características econômicas e produtivas de cada região. “Em cada região, foi feito de acordo com a vocação de cada região do Estado, foi feito a aptidão daquele pequeno agricultor ou agricultor familiar. É isso que nós vamos fazer no Brasil. Essa é a política que dá certo, é a política da renda, para que ele possa sobreviver na sua pequena propriedade rural”, disse.
O candidato também destacou a demanda crescente por alimentos com características específicas de qualidade e sustentabilidade. Segundo ele, pequenos produtores vêm se adaptando a esse mercado. “Cada vez mais, a sociedade demanda os produtos de qualidade. O pequeno agricultor e o agricultor familiar estão se dedicando exatamente a isso, a desenvolver técnicas de tomate com determinada qualidade, o morango”, afirmou.
Na avaliação apresentada por Caiado, essa adaptação pode ampliar as oportunidades de comercialização para a agricultura familiar. “Cada vez mais, eles estão se adequando a essa demanda da sociedade, que exige ali um produto ecologicamente sustentável e também um diferencial de qualidade”, concluiu.
Leia mais sobre: Daniel Vilela / Flávio Bolsonaro / Goiás / Ronaldo Caiado / Política









