Ficar sem sinal de celular em uma estrada ou em uma região afastada pode deixar de ser um problema tão frequente. A Vivo e a Starlink, empresa de internet via satélite ligada a Elon Musk, anunciaram uma parceria para oferecer conexão direta entre celulares e satélites em áreas sem cobertura das redes móveis terrestres. O serviço, chamado Vivo Satélite, começou a ser disponibilizado nesta segunda-feira (26).
A novidade utiliza a tecnologia D2D, sigla em inglês para direct to device, que permite a comunicação direta entre aparelhos compatíveis e satélites. Dessa forma, o celular pode acessar determinados serviços mesmo quando não encontra sinal das antenas convencionais de telefonia.
Leia também: Bananada 2027 terá 6 dias de shows; ingressos já estão à venda
Segundo as empresas, a oferta tem potencial para alcançar cerca de 50 milhões de clientes. Além disso, aproximadamente 7 milhões de celulares já haviam se conectado à tecnologia durante a fase de testes realizada antes do lançamento oficial. Os números, porém, representam situações diferentes: o primeiro indica o público potencialmente atendido, enquanto o segundo contabiliza aparelhos que já estabeleceram conexão.
Como funciona a internet via satélite no celular?
Diferentemente do serviço tradicional de internet fixa da Starlink, que exige uma antena e um roteador instalados no local, a tecnologia D2D conecta diretamente o celular aos satélites. Assim, o usuário não precisa carregar equipamentos adicionais para acessar as funções compatíveis.
A principal proposta é ampliar a conectividade em locais onde a instalação de antenas terrestres é difícil ou inviável. Isso inclui trechos de rodovias, áreas rurais, comunidades isoladas e regiões florestais.
Entretanto, a conexão via satélite não substitui a rede móvel convencional. A velocidade e o desempenho são mais limitados, principalmente por causa da distância percorrida pelo sinal entre o aparelho e os satélites, que operam a cerca de 550 quilômetros de altitude.
Por isso, a tecnologia foi desenvolvida inicialmente para manter serviços essenciais funcionando em áreas sem cobertura. A proposta não é oferecer a mesma experiência de navegação disponível em redes 4G e 5G.
Quais aplicativos funcionam na conexão da Starlink?
De acordo com as informações divulgadas pela Vivo, o serviço permite utilizar funções como mensagens de texto, troca de arquivos de áudio, chamadas de voz pelo WhatsApp, Google Maps e o aplicativo da própria operadora.
Já as chamadas de vídeo podem não funcionar ou apresentar desempenho limitado. Portanto, quem espera assistir a vídeos, realizar videoconferências ou navegar com a mesma velocidade de uma rede móvel convencional precisa considerar essas restrições.
A compatibilidade também depende do aparelho. Modelos mais recentes de celulares com iOS e Android receberam atualizações que permitem habilitar automaticamente os aplicativos para a conexão via satélite. Em aparelhos mais antigos, pode ser necessário ajustar manualmente as configurações.
Quem pode usar o Vivo Satélite sem pagar a mais?
A oferta inicial prevê acesso sem custo adicional por 12 meses para clientes de todos os planos pós-pagos da Vivo e de alguns planos controle e pré-pagos. Como a condição não contempla necessariamente todos os clientes dessas últimas categorias, é importante consultar a operadora para confirmar a elegibilidade.
No segmento empresarial, a Vivo informou que os clientes poderão experimentar a tecnologia gratuitamente durante três meses. Depois desse período, o acesso ao serviço D2D dependerá de contratação.
A parceria não tem prazo previamente definido e não exige exclusividade. Isso significa que as empresas poderão firmar outros acordos para ampliar a oferta da conectividade direta entre celulares e satélites.
A tecnologia também pode abrir novas possibilidades para negócios que dependem de comunicação em áreas afastadas, como empresas de logística, agronegócio e infraestrutura.
Starlink prepara nova geração de internet móvel via satélite
A parceria com a Vivo faz parte da estratégia da Starlink para ampliar sua atuação no mercado de telecomunicações. A empresa já oferece internet fixa por satélite em diversos países e agora aposta na conexão direta com celulares para alcançar lugares onde as redes terrestres não chegam.
A companhia também apresentou planos para uma próxima geração, chamada Starlink Mobile V2. A expectativa é ampliar a capacidade da rede e permitir conexões móveis de alta velocidade, inclusive em comunidades pequenas e estradas distantes dos grandes centros urbanos.
Essa evolução, porém, ainda é uma perspectiva para o futuro. No serviço anunciado agora, o foco está em funções essenciais de comunicação, e não na substituição da internet móvel tradicional.
Na prática, a novidade pode ajudar quem costuma viajar por regiões sem cobertura ou precisa manter contato em locais isolados. Ainda assim, antes de contar com o recurso, o consumidor deve verificar se o plano e o celular são compatíveis e quais aplicativos estarão disponíveis.
A conexão via satélite chega como um complemento à rede móvel, não como substituta do 4G ou do 5G.









