Clubes paulistas indicam atuação conjunta após proibição das bets

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Sede da Federação Paulista de Futebol, na zona oeste de São Paulo / Foto: Rodrigo Corsi/FPF

Os clubes paulistas indicaram que vão atuar em conjunto diante da proibição das casas de apostas no Brasil. A definição ocorreu após uma reunião realizada pela Federação Paulista de Futebol (FPF) na manhã desta segunda-feira (28).

O encontro teve caráter informativo e terminou sem uma medida prática comum. Os clubes e a FPF, porém, decidiram manter o diálogo para trocar informações e avaliar possíveis ações conjuntas. Segundo apuração do UOL, uma posição unificada pode fortalecer as conversas com patrocinadores e autoridades.

Apesar do alinhamento, cada clube continuará responsável pela negociação com seus próprios patrocinadores. As equipes vão analisar os impactos da medida provisória sobre os contratos e discutir possíveis alternativas.

FPF apresenta cronograma da medida

Durante a reunião, a FPF apresentou informações sobre o calendário de análise da medida provisória, os prazos previstos e os próximos passos no Congresso Nacional.

Representantes das áreas jurídica e de marketing participaram do encontro. Estiveram presentes Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Mirassol e Red Bull Bragantino, da Série A; Botafogo-SP, Novorizontino, Ponte Preta e São Bernardo, da Série B; além do Juventus.

Os clubes também discutiram os possíveis efeitos jurídicos, comerciais e institucionais da proibição. Entre as preocupações, estão os produtos que as empresas de apostas já produziram com suas marcas.

As camisas de clubes com patrocinadores do setor foram citadas como exemplo. A retirada das marcas pode gerar impactos diferentes, de acordo com as condições de cada contrato.

Clubes vão analisar contratos individualmente

A continuidade dos pagamentos dependerá das decisões das empresas e das cláusulas previstas em cada contrato. Entre as possibilidades, estão manter os acordos durante a análise da medida. Além disso, as partes podem suspender temporariamente as parcerias ou, ainda, encerrar os contratos.

Também foi discutida a possibilidade de congelar os acordos durante o período de indefinição. A alternativa dependerá das negociações entre clubes, patrocinadores e empresas de apostas.

As áreas de marketing também deverão buscar soluções para produtos e ações comerciais já em andamento. Por isso, cada contrato terá um procedimento específico, já que as condições são diferentes.

Entenda a proibição das bets

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na sexta-feira (25) uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o Brasil. A MP passou a produzir efeitos após a publicação, mas precisa ser analisada pelo Congresso para permanecer em vigor.

Os apostadores têm até 5 de outubro para acessar as plataformas e retirar os valores disponíveis. A partir de 6 de outubro, à zero hora, o governo deverá bloquear sites e aplicativos de apostas no país.

A medida também interrompe novas contratações de publicidade, patrocínio e promoção comercial de empresas do setor. Materiais publicitários já contratados podem continuar em circulação até 5 de outubro.

Segundo levantamento citado pelo UOL, as empresas de apostas pagaram R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos 20 clubes da Série A em 2025. O valor correspondeu a cerca de um terço de toda a receita obtida pelos clubes da elite com patrocínios naquele ano.

Governo prepara programa de crédito para clubes

Paralelamente às discussões sobre os patrocínios, o governo federal negocia um programa de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes e SAFs.

A proposta prevê a troca de dívidas atuais por financiamentos com juros menores, com prazo de até 20 anos para pagamento e dois anos de carência antes do início das parcelas.

Além disso, os recursos poderão financiar compromissos trabalhistas, direitos de imagem, impostos, empréstimos, dívidas civis e investimentos nas categorias de base. O programa não prevê utilização do dinheiro para salários correntes ou contratação de jogadores.

O Ministério do Esporte também convocou clubes e federações para uma reunião nesta terça-feira (29), em Brasília, a partir das 15h.


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