Uma das chuvas de meteoros mais conhecidas do calendário astronômico chega ao seu período de maior atividade nesta quarta-feira (21). Durante a noite e a madrugada de quinta-feira (22), moradores de Goiás poderão tentar observar as Orionídeas, fenômeno provocado por partículas deixadas pelo cometa Halley ao longo de sua trajetória pelo Sistema Solar.
Em condições ideais, a chuva pode produzir cerca de 20 meteoros por hora. Os fragmentos entram na atmosfera terrestre em alta velocidade e criam os rastros luminosos popularmente conhecidos como estrelas cadentes. O espetáculo não exige telescópios nem binóculos, mas depende de céu aberto e pouca iluminação artificial.
O melhor momento para tentar acompanhar o fenômeno será na segunda metade da madrugada, especialmente depois que a Lua se puser. Nesta edição, o brilho do satélite natural poderá esconder parte dos meteoros mais fracos durante as primeiras horas da noite.
Qual é o melhor horário para observar as Orionídeas em Goiás?
Para quem está em Goiânia ou em outras cidades goianas, a recomendação é reservar um período entre a madrugada e o amanhecer de quinta-feira (22). A previsão de maior atividade coincide com a passagem da Terra pela região do espaço que concentra os detritos responsáveis pelo fenômeno.
Segundo informações divulgadas pelo Observatório Nacional, a janela de observação mais favorável no Brasil começa por volta de 1h40 e segue até o amanhecer. Ainda assim, não existe garantia de que cada pessoa verá dezenas de meteoros. A quantidade depende das condições do céu, da poluição luminosa e da posição de quem observa.
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Para aumentar as chances de contemplar os rastros, procure um local seguro, aberto e afastado de postes, fachadas iluminadas e outras fontes de luz intensa. Depois, permaneça por cerca de 30 minutos no escuro para permitir que os olhos se adaptem.
Outro detalhe importante é não ficar olhando apenas para uma estrela ou constelação específica. Embora os meteoros pareçam surgir da região de Órion, eles podem cruzar diferentes partes do céu. Por isso, observar uma área ampla aumenta as chances de perceber os rastros luminosos.
Por que a chuva de meteoros tem ligação com o cometa Halley?
O fenômeno tem origem em um dos cometas mais famosos da história. O Halley percorre uma órbita alongada ao redor do Sol e leva aproximadamente 76 anos para completar uma volta. Em suas passagens pela região interna do Sistema Solar, o calor solar libera gases e partículas de poeira de seu núcleo, deixando detritos ao longo do caminho.
Quando a Terra atravessa essa região, parte do material entra na atmosfera em velocidades que podem chegar a 66 quilômetros por segundo. O atrito com os gases atmosféricos provoca o brilho observado no céu, mesmo quando os fragmentos são muito pequenos.
O nome Orionídeas vem da constelação de Órion, uma das mais conhecidas do céu noturno. No Brasil, ela chama atenção pelas Três Marias, estrelas que formam o cinturão do caçador da mitologia grega. A região próxima à estrela Betelgeuse marca o chamado radiante da chuva, ponto de onde os meteoros parecem partir quando vistos da Terra.
Cometa Halley só voltará em 2061, mas deixa rastros todos os anos
Quem quiser observar o próprio cometa Halley terá de esperar mais algumas décadas. Sua última passagem pelo interior do Sistema Solar ocorreu em 1986, e o próximo retorno está previsto para 2061.
A espera, entretanto, não impede que a Terra encontre os vestígios deixados pelo astro. Além das Orionídeas, que aparecem em outubro, o Halley também está associado às Eta Aquáridas, chuva de meteoros que costuma atingir seu pico em maio.
A história do cometa também atravessa séculos de observação astronômica. Em 1705, o astrônomo inglês Edmond Halley comparou registros de aparições anteriores e concluiu que se tratava do mesmo objeto retornando periodicamente. Ele previu uma nova passagem para 1758, mas morreu antes de confirmar a previsão. A reaparição do cometa comprovou seus cálculos e ajudou a consolidar o entendimento sobre as órbitas desses corpos celestes.
Assim, mesmo sem aparecer diretamente no céu nesta semana, o Halley continua presente em um espetáculo que se repete ano após ano. Para os observadores em Goiás, a madrugada pode ser uma oportunidade de olhar para cima, desacelerar a rotina e acompanhar um fenômeno que conecta a vida na Terra à história do Sistema Solar.









