Crise na saúde do Tocantins pode pressionar atendimento público em Goiás

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Hospitais do Tocantins que atendem pelo SUS alertam para dificuldades financeiras e restrição de novas admissões em UTIs e leitos de internação. Foto: Divulgação/SINDESTO.

A crise financeira enfrentada por hospitais privados que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Tocantins pode gerar reflexos na assistência à saúde da região Norte e aumentar a pressão sobre os serviços públicos de estados vizinhos, como Goiás. A partir desta quarta-feira (21), unidades afetadas deixam de admitir novos pacientes em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto, neonatal e pediátrica, além de leitos de internação hospitalar, conforme alerta do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Tocantins (Sindesto).

A medida ocorre diante de dificuldades financeiras e da falta de condições para custear novos atendimentos. Segundo a entidade, a situação também compromete a realização de procedimentos eletivos, que são aqueles previamente programados e que não exigem intervenção imediata.

Embora o sindicato não tenha apresentado dados sobre transferências de pacientes para Goiás ou sobre a ocupação da rede hospitalar goiana, a restrição de atendimento no estado vizinho levanta preocupação sobre a capacidade de assistência regional, especialmente em casos que exigem internação e cuidados intensivos.

Falta de recursos compromete atendimento

Em comunicado, o Sindesto afirma que a situação não representa uma decisão deliberada dos hospitais de suspender os atendimentos, mas uma limitação material e financeira para receber novas demandas do SUS.

A entidade destaca que o funcionamento das unidades depende de recursos para pagamento de profissionais, compra de medicamentos, aquisição de materiais hospitalares e manutenção da estrutura necessária à assistência.

Sem condições financeiras para cobrir essas despesas, os estabelecimentos afirmam não ter como assumir novos pacientes com a segurança exigida.

O presidente do Sindesto, Thiago Antônio de Sousa, ressaltou a gravidade do cenário e defendeu providências urgentes para garantir a continuidade dos serviços.

“Não se trata de uma decisão dos hospitais de deixar de atender, mas de uma impossibilidade financeira real. Os estabelecimentos precisam de recursos para manter suas estruturas, pagar profissionais e adquirir os insumos necessários. Sem essas condições, não é possível assumir novos pacientes com a segurança e a responsabilidade que a assistência à saúde exige”, afirmou.

Possíveis reflexos para Goiás

A restrição de novas admissões no Tocantins pode dificultar o acesso a leitos hospitalares para pacientes que dependem do SUS no estado. Caso haja necessidade de encaminhamento para outras unidades da Federação, a disponibilidade de vagas e a capacidade de atendimento dos serviços de referência serão fatores determinantes.

Em Goiás, um eventual aumento da procura por atendimento de pacientes vindos do Tocantins dependeria de fatores como a regulação interestadual, a existência de pactuações entre os sistemas de saúde e a disponibilidade de leitos especializados.

Até o momento, as informações divulgadas pelo Sindesto não confirmam transferências adicionais para Goiás nem dimensionam possíveis impactos sobre a rede estadual de saúde.

O sindicato defende a adoção de medidas urgentes para restabelecer condições financeiras que permitam aos prestadores manter o atendimento aos pacientes do SUS. A situação envolve leitos adultos, neonatais e pediátricos, além de internações hospitalares e procedimentos eletivos.


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