Uma viagem para Pirenópolis, um dos destinos mais procurados de Goiás, terminou de um jeito completamente diferente do planejado para uma blogueira que caiu em um golpe ao reservar uma hospedagem na cidade. Ela fez a negociação acreditando estar falando com o estabelecimento verdadeiro e só descobriu a fraude quando chegou ao destino.
O caso chama atenção principalmente pela forma como os golpistas teriam conseguido enganar a vítima. A página utilizada para oferecer a hospedagem era praticamente idêntica à verdadeira, reproduzindo elementos que davam aparência de legitimidade à negociação.
De acordo com informações publicadas por O Popular, a blogueira acreditava ter feito uma reserva normalmente. O problema apareceu somente na chegada a Pirenópolis, quando descobriu que havia sido vítima de uma falsa hospedagem.
O episódio ganhou repercussão nas redes sociais e reacendeu um problema que já colocou Pirenópolis no radar da polícia: criminosos que utilizam a imagem de pousadas e hospedagens reais para receber pagamentos de turistas.
Página falsa imitava a verdadeira
Golpe de falsa hospedagem em Pirenópolis. | Foto: divulgação oficial
É justamente esse detalhe que torna o caso mais preocupante.
Não se tratava simplesmente de um anúncio malfeito ou de uma hospedagem inexistente facilmente identificável. A página apresentada à vítima reproduzia a aparência da verdadeira, o que ajudava a passar confiança para quem estava fazendo a reserva.
Esse tipo de fraude explora um comportamento cada vez mais comum entre turistas. A pessoa encontra uma pousada pelo Instagram, Google ou outra plataforma, inicia uma conversa pelo WhatsApp e recebe informações sobre disponibilidade, valores e formas de pagamento.
Quando fotos, nome e identidade visual correspondem a um estabelecimento que realmente existe, perceber que o contato está sendo feito com um golpista fica muito mais difícil.
No caso relatado em Pirenópolis, a descoberta aconteceu no pior momento possível: depois da viagem.
Pirenópolis já registrou outros golpes envolvendo pousadas
O episódio envolvendo a blogueira não aparece em um cenário totalmente novo.
Pirenópolis já foi alvo de criminosos que criavam perfis falsos de pousadas verdadeiras para enganar turistas interessados em visitar a cidade.
Em uma investigação da Polícia Civil, suspeitos utilizavam perfis falsos no Instagram para anunciar hospedagens. Depois que o turista demonstrava interesse, a negociação seguia por aplicativo de mensagens e terminava com o pagamento antecipado.
Uma operação realizada pelas forças de segurança chegou a relacionar o esquema a pelo menos 62 casos de estelionato registrados entre 2023 e 2024.
O Curta Mais já mostrou esse problema anteriormente na reportagem sobre o golpe da pousada fake em Pirenópolis, quando investigações revelaram como criminosos copiavam informações de estabelecimentos para atrair vítimas.
Em um dos casos divulgados pela Polícia Civil de Goiás, uma vítima encontrou nas redes sociais um anúncio de hospedagem na cidade e iniciou a negociação acreditando estar tratando com o estabelecimento. O pagamento de uma diária de R$ 480 foi realizado via Pix.
Depois da transferência, os criminosos ainda tentaram cobrar uma segunda diária. Quando a vítima se recusou a fazer outro pagamento, foi bloqueada.
Como saber se o perfil de uma pousada é verdadeiro?
O caso da blogueira mostra que olhar apenas as fotos ou a aparência da página já não é suficiente.
Antes de pagar uma reserva encontrada pelas redes sociais, uma das verificações mais importantes é procurar o estabelecimento por outros caminhos.
Encontrou a pousada pelo Instagram? Pesquise o nome no Google, procure o site oficial, confira o telefone informado em diferentes plataformas e compare os dados.
Também vale ligar diretamente para o estabelecimento antes de fazer o pagamento e perguntar se aquele WhatsApp, perfil e chave Pix realmente pertencem à empresa.
Outro detalhe importante aparece na tela segundos antes de concluir um Pix: o nome de quem receberá o dinheiro.
Se o beneficiário não tiver uma relação clara com o estabelecimento, interrompa a transferência e confirme a cobrança.
Ofertas muito abaixo dos valores normalmente praticados, pressão para pagar imediatamente e pedidos para continuar fora de plataformas conhecidas também merecem atenção.
Fez o Pix e descobriu o golpe?
Quem percebe que transferiu dinheiro para um golpista deve agir rapidamente.
O Banco Central mantém o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado especificamente para situações envolvendo suspeitas de fraude no Pix. A contestação deve ser feita pelo aplicativo ou pelos canais da instituição financeira utilizada pela vítima.
O mecanismo permite que bancos envolvidos analisem a ocorrência e tentem bloquear valores disponíveis na conta que recebeu o dinheiro. A devolução, no entanto, não é garantida.
Também é importante registrar boletim de ocorrência e guardar todas as provas da negociação, como prints do perfil falso, conversas, telefone utilizado, comprovante da transferência, chave Pix e nome do beneficiário.
O alerta para quem vai passar o fim de semana em Pirenópolis
O caso serve especialmente de alerta para quem pretende viajar para Pirenópolis em feriados e fins de semana movimentados, quando aumenta a procura por quartos e pousadas.
A cidade possui uma grande variedade de hospedagens e o próprio Curta Mais mantém um guia de hotéis e pousadas em Pirenópolis para quem está planejando a viagem.
Encontrar uma pousada bonita no Instagram, porém, não significa necessariamente que o perfil que apareceu na busca pertença ao estabelecimento.
A recomendação é confirmar a reserva diretamente pelos canais oficiais antes de transferir qualquer valor.
O caso da blogueira mostra justamente o tamanho do problema: quando uma página falsa consegue parecer praticamente igual à verdadeira, alguns minutos de checagem antes do pagamento podem evitar que o turista atravesse quilômetros e só descubra o golpe quando já estiver em Pirenópolis.









