O WhatsApp anunciou novos recursos de controle parental voltados a adolescentes. A partir das ferramentas apresentadas pela empresa, pais e responsáveis poderão acompanhar algumas atividades dos filhos no aplicativo, especialmente relacionadas à participação em grupos.
Entre as novidades está a possibilidade de receber avisos quando o adolescente entrar ou sair de um grupo. Os responsáveis também poderão ser informados quando um grupo do qual o jovem participa crescer de maneira significativa.
Foto: Divulgação
Apesar do acompanhamento, o WhatsApp afirma que as novas ferramentas não permitem que os pais tenham acesso ao conteúdo das conversas. As mensagens pessoais e as ligações continuam protegidas pela criptografia de ponta a ponta.
Leia também: UEG abre 30 vagas para Medicina gratuita em Goiás; inscrições terminam segunda (5)
Pais poderão controlar quem adiciona adolescentes a grupos
Além dos alertas, os responsáveis poderão definir algumas configurações de privacidade da conta do adolescente.
Uma delas permite escolher quem pode adicionar o jovem a grupos. Outra possibilita determinar quem poderá visualizar a foto de perfil.
Caso o adolescente queira alterar essas configurações para opções menos restritivas, será necessária a aprovação de um responsável. Para isso, o adulto utilizará um PIN, ou seja, uma senha numérica definida no momento da ativação dos controles.
A proposta, portanto, amplia a possibilidade de supervisão sem transformar as conversas privadas em conteúdo acessível aos responsáveis.
Também será possível controlar status e canais
Os novos recursos não ficam restritos aos grupos. O WhatsApp também permitirá que pais e responsáveis façam escolhas relacionadas aos canais e às atualizações de status.
Será possível limitar quais status o adolescente pode visualizar. Da mesma forma, os responsáveis poderão definir quem pode ver os conteúdos publicados pelo jovem.
A empresa também incluiu uma opção específica para a Meta AI, assistente de inteligência artificial integrada aos serviços da companhia.
Nesse caso, os responsáveis poderão escolher entre a configuração padrão destinada a maiores de 13 anos e uma alternativa mais restritiva, chamada “Conteúdo limitado”.
O WhatsApp, porém, não detalhou quais respostas da inteligência artificial seriam bloqueadas nessa configuração.
Mensagens continuam privadas
Um dos pontos destacados pela empresa é que os novos controles não dão aos responsáveis acesso às conversas particulares dos adolescentes.
Assim, mesmo com os alertas sobre grupos, os pais não poderão visualizar as mensagens trocadas nesses espaços por meio dessas ferramentas. O mesmo vale para as ligações, que continuam protegidas pela criptografia de ponta a ponta, segundo o WhatsApp.
Foto: Divulgação
A adesão aos controles também será opcional. Pais e adolescentes poderão configurar os recursos juntos. Depois disso, os responsáveis poderão alterar as configurações ou desativar os controles.
Recurso é diferente das contas para menores de 13 anos
As ferramentas anunciadas agora também não são iguais ao sistema criado pelo WhatsApp para crianças menores de 13 anos.
Em março, a empresa havia anunciado contas gerenciadas especificamente para pré-adolescentes. Nesse modelo, os responsáveis podem definir quem pode entrar em contato com a criança e de quais grupos ela pode participar.
Para adolescentes, a nova proposta acrescenta outras possibilidades. Entre elas estão justamente os alertas relacionados aos grupos, além dos controles sobre status, canais e Meta AI.
Novidades chegam durante implementação do ECA Digital
O anúncio ocorre em um momento de mudanças nas regras brasileiras para proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
O ECA Digital entrou em vigor em 17 de março e estabelece medidas para que serviços digitais acessíveis a esse público ofereçam ferramentas de supervisão parental e adotem mecanismos de prevenção a riscos.
A legislação também prevê uma proteção mais elevada nas configurações padrão destinadas a crianças e adolescentes.
Por isso, a existência dos novos recursos anunciados pelo WhatsApp, por si só, não significa que todas as exigências previstas na legislação estejam automaticamente atendidas. A adequação depende também de outras medidas adotadas pelas plataformas.
Em seu primeiro relatório de transparência relacionado ao ECA Digital, o WhatsApp informou ter banido 61.115 contas brasileiras no primeiro semestre por violações relacionadas à exploração sexual infantil. O número representa ações de moderação da plataforma e não indica quantas crianças foram afetadas.









