Tadeu – Goleiro – Goiás (Foto – Rosiron Rodrigues)
A vitória por 2 a 1 sobre o Avaí, de virada, pela 29ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, poderia ter sido uma noite apenas de comemoração para o Goiás. O resultado no estádio Hailé Pinheiro deu sequência à reação alviverde na competição. Depois de também derrotar o Botafogo de virada, o time comandado por Mozart Santos chegou à segunda vitória consecutiva e ganhou confiança para seguir sonhando com o acesso.
Mas o resultado positivo acabou dividido com um cenário de crise nos bastidores. Após a partida, jogadores e o técnico Mozart Santos decidiram não conceder entrevistas aos profissionais de imprensa. O protesto foi motivado pelos atrasos envolvendo salários, direitos de imagem e premiações, além do descumprimento, segundo o elenco, de promessas feitas pela diretoria para a regularização dos pagamentos.
Nesta segunda-feira (21), o goleiro Tadeu publicou em seu Instagram uma carta aberta assinada pelos atletas do Goiás Esporte Clube. No documento, o grupo explicou a decisão tomada depois da vitória sobre o Avaí: “O silêncio diante da imprensa foi uma forma de expressar algo que há algum tempo estamos tentando resolver internamente, com diálogo, respeito e confiança.”
Os jogadores também detalharam os problemas financeiros enfrentados: “Existem vencimentos em atraso, incluindo valores referentes a CLT, direitos de imagem e premiações. Semana após semana, convivemos com promessas de regularização e com a expectativa de que os compromissos assumidos sejam cumpridos.”
A carta ainda ressalta que a manifestação não foi feita apenas em defesa do elenco profissional. “Estamos falando também pelos funcionários do Goiás, especialmente aqueles que recebem os menores salários e que enfrentam dificuldades ainda maiores quando seus vencimentos não são pagos em dia.” Em outro trecho, os atletas reforçam o que esperam da diretoria: “O que pedimos é simples: que os compromissos assumidos sejam cumpridos e que todos aqueles que trabalham pelo Goiás sejam tratados com respeito e dignidade.”
Mesmo com o protesto, o elenco deixou claro que pretende manter o foco dentro de campo. O Goiás tenta transformar as duas vitórias consecutivas em uma arrancada na reta final da Série B, enquanto fora das quatro linhas jogadores, comissão técnica e funcionários aguardam uma solução para os problemas financeiros que voltaram a ganhar repercussão pública.
Confira o texto do goleiro Tadeu em nome do elenco esmeraldino
Ao torcedor esmeraldino,
O que aconteceu ao final da partida contra o Avaí não foi uma decisão fácil. Pelo contrário. Para nós, jogadores, o silêncio diante da imprensa foi uma forma de expressar algo que há algum tempo estamos tentando resolver internamente, com diálogo, respeito e confiança.
Entramos em campo, treinamos e trabalhamos todos os dias honrando uma camisa que representa milhões de pessoas. E seguimos fazendo isso mesmo diante de uma realidade que tem sido difícil para todos nós.
Existem vencimentos em atraso, incluindo valores referentes a CLT, direitos de imagem e premiações. Semana após semana, convivemos com promessas de regularização e com a expectativa de que os compromissos assumidos sejam cumpridos.
Ainda assim, em nenhum momento deixamos de trabalhar. Treinamos. Jogamos. Viajamos. Nos entregamos em cada partida. Vencemos jogos. Lutamos pelo Goiás dentro de campo. Fizemos o que sempre nos foi pedido: honrar a camisa e representar o clube da melhor maneira possível.
E continuaremos fazendo.
Nosso posicionamento não é uma atitude contra o Goiás Esporte Clube. Muito menos contra o torcedor, que sempre esteve ao nosso lado e que merece todo o nosso respeito. É justamente por respeitarmos o clube, a instituição e quem trabalha por ela que entendemos ser necessário tornar pública uma situação que já não pode ser tratada apenas nos bastidores.
E existe uma razão ainda maior para este movimento. Não estamos falando apenas por nós. Estamos falando também pelos funcionários do Goiás, especialmente aqueles que recebem os menores salários e que enfrentam dificuldades ainda maiores quando seus vencimentos não são pagos em dia.
São profissionais que chegam cedo, trabalham diariamente, cuidam da estrutura do clube, dos campos, da limpeza, da alimentação, da segurança, do atendimento e de tantas outras funções fundamentais para que o futebol aconteça.
São pessoas que, assim como nós, têm famílias, contas para pagar e responsabilidades que não podem esperar. Por isso, nosso silêncio ontem também foi por eles.
Sabemos da responsabilidade que carregamos quando vestimos esta camisa. Sabemos que o torcedor não tem culpa dos problemas internos do clube e que, dentro de campo, espera de nós entrega, dedicação e resultado. E é exatamente isso que temos procurado entregar.
Mas também somos trabalhadores. Temos compromissos, famílias e direitos. O que pedimos é simples: que os compromissos assumidos sejam cumpridos e que todos aqueles que trabalham pelo Goiás sejam tratados com respeito e dignidade.
Nossa intenção não é criar conflitos. É buscar uma solução.
Queremos que o Goiás esteja forte, organizado e unido. Queremos voltar nossas atenções exclusivamente para o futebol, para os treinamentos, para os jogos e para o objetivo que todos compartilhamos: ver o Goiás onde ele merece estar.
Seguiremos entrando em campo com a mesma dedicação. Seguiremos honrando a camisa. Mas entendemos que honrar a camisa também é ter coragem para defender aqueles que fazem parte dela todos os dias.
Pelo Goiás. Pelos atletas. Pelos funcionários. Pelas nossas famílias. E, acima de tudo, pelo respeito a todos que trabalham e lutam diariamente por este clube.
Atletas do Goiás Esporte Clube
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