Romaria do Divino Pai Eterno avança no Senado e pode virar patrimônio cultural do Brasil – Curta Mais

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A fé que movimenta milhões de pessoas todos os anos em Trindade pode ganhar reconhecimento oficial em todo o Brasil. A Romaria do Divino Pai Eterno avançou no Congresso Nacional após a Comissão de Educação e Cultura do Senado aprovar, nesta terça-feira (3), um projeto que reconhece a celebração como manifestação da cultura brasileira.

A proposta é de autoria do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) e recebeu parecer favorável do senador Flávio Arns (PSB-PR), relator da matéria. O Projeto de Lei 2.423/2026 foi aprovado em caráter terminativo na comissão. Com isso, poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, caso não haja recurso para análise no Plenário do Senado.

Foto: Divulgação

A iniciativa busca registrar na legislação federal a importância histórica e cultural de uma tradição que atravessa gerações. Em 2026, a romaria completou 186 anos e segue entre as maiores manifestações de fé do país.

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Romaria reuniu mais de 4,3 milhões de peregrinos em 2025

A dimensão da celebração foi um dos argumentos apresentados durante a análise do projeto. Segundo os números citados por Vanderlan Cardoso, mais de 4,3 milhões de peregrinos participaram da Romaria do Divino Pai Eterno em 2025, ao longo de dez dias de festividades.

O senador destacou a estrutura necessária para receber os visitantes e o trabalho de acolhimento realizado durante o evento.

Foto: Divulgação

“É preciso ver de perto para entender a dimensão do que se faz ali. Mais de quatro milhões de pessoas visitando a cidade em dez dias, com acolhida, com segurança, com respeito, com ordem. Isso não acontece por acaso”, declarou.

Vanderlan também ressaltou a atuação do reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, padre Marco Aurélio Martins da Silva, dos missionários redentoristas, dos voluntários, da Prefeitura de Trindade e do Governo de Goiás.

No parecer, Flávio Arns classificou a romaria como a maior peregrinação do Centro-Oeste e a segunda maior do Brasil. O relator também destacou os impactos da movimentação de visitantes na economia local, especialmente nos setores de hotelaria, gastronomia, logística e comércio.

Devoção começou em 1840, com um medalhão de barro

A história da Romaria do Divino Pai Eterno remonta a 1840. Naquele ano, os agricultores Constantino Xavier e Ana Rosa encontraram um medalhão de barro com a representação da Santíssima Trindade coroando Nossa Senhora, na antiga região do Barro Preto, onde hoje fica Trindade.

Foto: Divulgação

A descoberta deu origem às primeiras manifestações de fé que, ao longo do tempo, se transformaram na romaria e acompanharam o desenvolvimento do município.

Durante a votação, Vanderlan relembrou o início da tradição e sua continuidade ao longo das gerações.

“Dali nasceram as primeiras orações em família. Depois nasceu uma cidade. E junto a isso nasceu uma devoção que atravessou cinco gerações e chegou até nós. São mais de 180 anos de fé ininterrupta”, afirmou.

Romaria já tem reconhecimento em Goiás

O avanço no Senado se soma a reconhecimentos concedidos anteriormente a símbolos religiosos e culturais ligados a Trindade.

Foto: Divulgação

Na justificativa do projeto, Vanderlan citou o reconhecimento estadual do Grande Sino Vox Patris, do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e da própria romaria.

O senador também mencionou a Romaria dos Carros de Boi, reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2016.

Para Vanderlan, a aprovação da proposta representa a oportunidade de ampliar nacionalmente o reconhecimento de uma celebração que já tem importância histórica e cultural em Goiás.

“Agora é a hora de o Congresso Nacional dizer ao Brasil o que Goiás já sabe: a Romaria do Divino Pai Eterno não é uma festa regional. É patrimônio do povo brasileiro”, declarou.

Projeto ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados

A elaboração do Projeto de Lei 2.423/2026 começou após uma conversa entre Vanderlan Cardoso e o padre Marco Aurélio Martins da Silva, em 11 de maio. Na ocasião, o senador esteve em Trindade para entregar recursos destinados à saúde e à assistência social do município.

Com a aprovação na Comissão de Educação e Cultura, o texto poderá seguir para a Câmara dos Deputados, desde que não haja recurso para que seja votado pelo Plenário do Senado.

A proposta não cria novas despesas públicas nem estabelece obrigações administrativas. O objetivo é reconhecer, na legislação federal, a importância cultural da celebração religiosa.

Romaria

Foto: Divulgação

Ao defender o projeto, Vanderlan afirmou que a iniciativa valoriza uma tradição preservada pela participação dos fiéis ao longo de quase dois séculos.

“Ele faz algo diferente e necessário: registra na lei brasileira o respeito a uma tradição centenária, preservada não por decreto, mas pela fé do romeiro e pela constância do povo”, declarou.

A proposta ainda precisa avançar no Congresso para que o reconhecimento nacional seja formalizado.

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